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Correio Braziliense

Ortega e oposição medem forças enquanto violência piora na Nicarágua

O governo intensificou a chamada "operação limpeza" de forças conjuntas para derrubar as barricadas colocadas pelos manifestantes nas ruas


postado em 11/07/2018 18:30

A oposição nicaraguense intensificará a partir de quinta-feira, 11/7, a pressão contra o presidente Daniel Ortega(foto: Marvin Recinos/AFP)
A oposição nicaraguense intensificará a partir de quinta-feira, 11/7, a pressão contra o presidente Daniel Ortega (foto: Marvin Recinos/AFP)

 
A oposição nicaraguense intensificará a partir de quinta-feira, 11/7, a pressão contra o presidente Daniel Ortega, com uma manifestação e uma greve geral, mas o governo, em resposta, prepara sua marcha de comemoração revolucionará até Masaya, cidade mais rebelde do país.

Policiais e antimotins estão posicionados na entrada de Masaya, 35 quilômetros ao sul de Manágua, temendo uma violenta incursão antes que o governo celebre a "rendição", uma caravana liderada por Ortega, que anualmente vai a essa cidade para recordar um gesto da revolução de 1979. 

"Não à rendição", "Monimbó resiste hoje, amanhã e sempre", é possível ler em pedras e barricadas que foram reforçadas pelos moradores do bairro Monimbó, no sul de Masaya.

"Estamos à espera de se o regime virá nos atacar. Querem nos intimidar, mas Monimbó está resistindo e está firme e forte para se proteger e lutar", disse à AFP Wilfredo, transportador de 25 anos, perto de uma barricada.

"Viva Monimbó, jamais iremos nos render. Morte a Ortega", diz um enorme letreiro em uma barricada com a bandeira da Nicarágua em seu centro.

Esperamos por eles

Nas últimas semanas o governo intensificou a chamada "operação limpeza" de forças conjuntas para derrubar as barricadas colocadas pelos manifestantes nas ruas.

O dirigente da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH) de Masaya, Danilo Martínez, denunciou que a cidade "está cercada por uma força de 1.000 paramilitares, policiais e armamento pesado".

"Monimbó está esperando por eles, não tenho medo. Vivi as guerras civis de 1970 e 1980. Estamos resistindo porque queremos o país livre. Não queremos o regime Daniel, que mata e espanca os padres", assinalou à AFP María González, de 78 anos, que vendia mamões ao lado de uma barricada.

A situação na Nicarágua é crítica, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que cifrou em 264 o número de mortes na Nicarágua no contexto dos protestos.

A opositora Aliança Cívica pela Justiça e Democracia convocou a marcha "Juntos somos um vulcão" para quinta, 12/7, e uma greve nacional para sexta-feira, 13/7, a segunda durante a crise. 

"Queremos pedir à Nicarágua e fazer um apelo para garantir protestos e manifestações pacíficas, bem como a segurança e integridade de todas as pessoas", disse o secretário executivo da CIDH, Paulo Abrao, diante do conselho permanente da OEA sobre a situação na Nicarágua. 

O chanceler nicaraguense, Denis Moncada, descreveu o relatório da CIDH como "preconceituoso e desprovido de objetividade". 

"Não se pode confundir um protesto pacífico com atos terroristas", sustentou Moncada.

A ANPDH exigiu nesta quarta-feira, 11/7, que o Exército investigue denúncias de uso de armas de grosso calibre por parte das forças pró-governo para reprimir os protestos.

Existem "evidências de denúncias das pessoas de uso de armas de guerra de grosso calibre e de granadas de demolição de uso exclusivo do Exército nas cidades de La Trinidad, León, Sutiaba e Carazo", disse o secretário da ANPDH, Alvaro Leiva, em entrevista coletiva.

O Exército da Nicarágua afirmou na terça-feira, 10/7, que tem o "controle absoluto" de seu arsenal e negou qualquer envolvimento em atos de repressão a manifestantes.

Grupos de direitos humanos e opositores, entre os quais há militares reformados, denunciaram a suposta presença de membros do Exército nos grupos armados ilegais que atuam com a polícia na operação limpeza.

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