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Correio Braziliense

Outra temporada devastadora e 'normal' de incêndios na Califórnia

De acordo com as autoridades locais, 90% dos incêndios são causados pelo homem


postado em 15/07/2018 10:55

(foto: Mario Tamas/Getty/AFP)
(foto: Mario Tamas/Getty/AFP)
 
De um terreno devastado pelas chamas pode-se ver o icônico letreiro de Hollywood. A poucos passos, está o também turístico Observatório Griffith de Los Angeles.

Cerca de 10 hectares foram queimados pelas chamas há quatro dias. Apesar de que os bombeiros puderam controlar o incêndio, foi apenas uma amostra dos muitos que são esperados na nova temporada de incêndios florestais na Califórnia, que será tão intensa e devastadora como a do ano passado.

"Costumávamos dizer 'este é o novo normal' sobre o aumento da frequência dos incêndios florestais. No entanto, agora só é normal, é com isto que estávamos lidando", disse à AFP o capitão Erik Scott, porta-voz dos bombeiros de Los Angeles.

Passaram-se apenas seis meses desde que mansões foram afetadas pelas chamas em bairros exclusivos desta metrópole, de quatro milhões de habitantes.

Foram registrados três grandes incêndios - La Tuna, Creek e Skirball - que destruíram uma área total de 9.300 hectares.

Los Angeles chegou a evacuar 150.000 pessoas e o museu Getty fechou suas portas para proteger sua coleção, que inclui "A Primavera" de Edouard Manet.

"A Califórnia recebeu no ano passado quase metade das chuvas de que precisava", apontou Scott.

Com as precipitações do inverno a vegetação cresceu a níveis superiores aos dos últimos anos, e esse pasto, que seca no verão, se transforma em combustível para os incêndios.

"Nos últimos meses estivemos combatendo focos múltiplos" que não ficaram maiores porque "os atacamos rápido e porque não houve ventos significativos", disse Scott.

No entanto, o capitão alertou que "no outono (boreal) esperamos que (os incêndios) sejam devastadores, impulsados pelos ventos de Santa Ana, principalmente em setembro e outubro".

A temporada termina em dezembro e o fogo já consumiu 1,17 milhão de hectares nos Estados Unidos desde o início do ano, mais que nos dois últimos anos na mesma época.

O Serviço Meteorológico dos Estados Unidos (NWS) indicou no entanto que até o momento este ano não se apresenta como 2017, que foi "excepcional", embora o calor aumentará em agosto e, com isso, o cenário de incêndios.

90% causados pelo homem

O parque Griffith, de 17 km², situado na Serra de Santa Mônica e uma das áreas mais visitadas por locais e turistas em Los Angeles, foi tomado pelas chamas na tarde de terça-feira passada, levando à evacuação de 2.000 personas. Cinco carros foram queimados.

Duzentos bombeiros chegaram para combater o incêndio. No parque, ainda fechado ao público, as brigadas jogam água com mangueira na "zona ativa", que isolaram completamente para evitar qualquer novo foco.

Na semana passada foram registrados grandes incêndios em todo o país, segundo o Centro Nacional de Prevenção de Incêndios (NIFC, sigla em inglês), em meio a uma onda de calor ameaçadora com temperaturas de mais de 40ºC em alguns lugares.

Um homem morreu em Hornbrook, na fronteira com Oregon, quando tentava evacuar uma área afetada pelo fogo.

"Os incêndios florestais na Califórnia são algo com que teremos de viver", indicou Scott. "A população deve trabalhar com nós" para preveni-los, porque 90% deles são causados pelo homem.

O incêndio County, que obrigou evacuação na região vitivinícola de Napa Valley na semana passada, foi provocado por uma cerca elétrica para gado mal instalada. Após arrasar 36.538 hectares e destruir 20 estruturas, as chamas estavam 92% contidas.

Em outubro passado, os incêndios nessa mesma região geraram perdas no valor de 9,4 bilhões de dólares, segundo o Departamento de Seguros da Califórnia.

Os bombeiros da Califórnia combatiam na quinta-feira outros quatro incêndios, em sua maioria quase ou totalmente controlados, enquanto no Colorado as brigadas lutavam contra um incêndio que começou há dois meses com a ajuda da chuva.

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