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Correio Braziliense

Fóruns internacionais examinam crise na Nicarágua

Há três meses a oposição exige que o presidente de esquerda Daniel Ortega deixe o poder


postado em 16/07/2018 15:00

Estudantes protestam contra o governo(foto: Marvin Recinos/AFP)
Estudantes protestam contra o governo (foto: Marvin Recinos/AFP)

 
Depois de um violento fim de semana que deixou 12 mortos na Nicarágua, a comunidade internacional se prepara para discutir a brutal repressão dos protestos, que há três meses exigem que o presidente de esquerda Daniel Ortega deixe o poder.

No domingo, 15/7, policiais e paramilitares arremeteram contra Masaya (sul) e comunidades vizinhas para remover os bloqueios de estradas dos manifestantes contra o governo. A operação deixou 10 mortos, entre eles quatro paramilitares, e 20 feridos, de acordo com Álvaro Leiva, secretário da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH).

A polícia inicialmente não confirmou essas mortes.

Um dia antes, 200 estudantes conseguiram sair de um cerco de 20 horas das forças do governo na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua, em Manágua, e de um templo próximo, em uma ação que deixou dois alunos mortos.

Desde que os protestos começaram, em abril, 280 pessoas morreram. Inicialmente, as reivindicações eram contra uma reforma do sistema de previsão social, que o governo deixou sem efeito, mas derivaram em uma demanda para a saída do poder de Ortega, que governa desde 2007 pelo terceiro mandato consecutivo.

A oposição o acusa de instaurar uma ditadura e quer antecipar para março as eleições presidenciais de 2021.

O governo diz que os protestos opositores têm uma finalidade golpista ao tentar alterarem a ordem constitucional.

Já os hierarcas católicos denunciam a "falta de vontade política do governo" de dialogar com a opositora Aliança Cívica.

Agenda internacional

Afundada na violência e sem saídas à vista, a crise da Nicarágua será discutida em fóruns internacionais, como a reunião de chanceleres da União Europeia (UE) e a Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (Celac), que inicia em Bruxelas nesta segunda-feira, 16/7.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, anunciou que pediu a seu chanceler Roberto Ampuero que levasse o tema ao encontro, enquanto a ministra costa-riquenha, Epsy Campbell, adiantou que pedirá ao fórum um pronunciamento sobre a crise na Nicarágua.

O embaixador americano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Carlos Trujillo, por sua vez, adiantou que a questão da Nicarágua voltaria esta semana à agenda do fórum continental.

"A violenta repressão do governo com o uso de turbas sandinistas é inaceitável. Os Estados Unidos ficarão responsáveis pelos violadores de direitos humanos", comentou Trujillo no Twitter.

Enquanto isso, o presidente costa-riquenho, Carlos Alvarado, adiantou que a crise na Nicarágua estará presente em suas discussões com o secretário-geral da ONU, António Guterres, com quem se reunirá nesta segunda-feira em San José.

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