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Correio Braziliense

Sul-africanos comemoram o centenário de Mandela ajudando o próximo

Para marcar o centenário de nascimento de Nelson Mandela, ações beneficentes, como arrecadação de alimentos e doação de cobertores, ocorrem em todo o país


postado em 18/07/2018 08:31 / atualizado em 18/07/2018 08:40

As netas de Mandela distribuíram comida (foto: Reprodução/AFP)
As netas de Mandela distribuíram comida (foto: Reprodução/AFP)

Cidade do Cabo — A África do Sul transformou o centenário de seu maior líder, Nelson Mandela, nascido em 18 de julho de 1918, em um dia de solidariedade. Por todo o país, foram programadas, para esta quarta-feira (18/7), diversas atividades que têm como objetivo ajudar o próximo.

A ordem do dia é estender a mão. E não faltam opções neste Mandela Day, como a data, comemorada todos os anos, é chamada pelos sul-africanos. Jornais, sites e canais de televisão divulgam as várias atividades à espera de voluntários, que vão da venda de cupcakes com o lucro revertido para instituições assistenciais, na Cidade do Cabo, até a arrecadação de alimentos para crianças ou a distribuição de panfletos que orientam sobre o autismo, em Johannesburgo. As netas de Mandela participaram das ações solidárias, distribuindo comida à população.

A vila de Mvezo, onde Nelson Madela nasceu, merece especial atenção este ano. É lá que o presidente Cyril Ramaphosa integrará uma cerimônia especial, que contará com a presença de ex-presidentes do país, e participa, desde cedo, de uma série de ações  — que incluem a distribuição de cobertores e bicicletas, além da inauguração de uma fábrica de toalhas sanitárias.

Yanga Kotyi, 30 anos:
Yanga Kotyi, 30 anos: "Mandela foi muito importante. Meus pais me contam que a vida era muito pior antes" (foto: Humberto Rezende/CB/DA Press)


O fato de a população de Mvezo ainda necessitar de tantas ações beneficentes é uma lembrança de que o sonho de igualdade de Mandela ainda está distante. Segundo um dos netos do líder, Nkosi Mandla Zwelivelile Mandela, o local ainda sofre com a pobreza e problemas estruturais graves. "Nós ainda dividimos água com porcos e burros. Ainda precisamos usar burros para transportar água do rio. Nós fazemos isso desde a época do regime do apartheid", disse Nkosi Mandela ao jornal local Times.

"Falta igualdade"

Nos grandes centros, a impressão de que a luta iniciada por Mandela ainda não terminou também é clara entre os trabalhadores negros. "Mandela foi muito importante. Meus pais me contam que a vida era muito pior antes. Eu, se viesse aqui (no centro da Cidade do Cabo) naquela época, seria preso", diz Yanga Kotyi, 30 anos, funcionário de um centro de convenções. "Mas ele não lutou só por liberdade, lutou também por igualdade. E não temos isso ainda", completa o jovem.

Kotyi diz que as oportunidades para brancos e negros não são iguais no país. "Eu trabalho na calçada, organizando os carros em frente ao centro de convenções, porque não tive uma boa educação. Não consigo um emprego de escritório", afirma.

Por ter tanto ainda a conquistar, Kotyi acha importante que o país siga celebrando o nascimento de Mandela, como forma de preservar sua mensagem. Opinião compartilhada pelo instalador de sistemas de ar-condicionado Calvin Serelina, 45 anos. "Temos que celebrar Mandela, porque ele mudou tudo para melhor", diz Serelina, ressaltando que, como Kotyi, ainda deseja ver mudanças na África do Sul. "Infelizmente, ainda temos muitos ladrões no governo", protesta.

* O repórter viajou a convite do 3º Fórum de Mída dos Brics, que ocorre na Cidade do Cabo

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