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Correio Braziliense

Estudo indica que o Homem de Neandertal sabia fazer fogo

O resultado do estudo realizado na França confirmou a hipótese de que este primo antigo do homem conhecia as técnicas para produzi-lo por conta própria e não se utilizava da coleta de brasas naturais


postado em 19/07/2018 16:05

Já era um fato conhecido que este primo antigo do homem usava fogo. Mas não se sabia se eram apenas brasas naturais coletadas após incêndios causados %u200B%u200Bpor raios ou erupções vulcânicas ou se, como o homem moderno, conhecia as técnicas para produzi-lo por conta própria (foto: Abel Grau/ CSIC Communication/Divulgação)
Já era um fato conhecido que este primo antigo do homem usava fogo. Mas não se sabia se eram apenas brasas naturais coletadas após incêndios causados %u200B%u200Bpor raios ou erupções vulcânicas ou se, como o homem moderno, conhecia as técnicas para produzi-lo por conta própria (foto: Abel Grau/ CSIC Communication/Divulgação)

 
Paris, França - O homem de Neandertal sabia acender fogo por meio da fricção entre pedras, asseguram pesquisadores que analisaram várias ferramentas encontradas em sítios arqueológicos na França datadas de 50.000 anos atrás.

Já era um fato conhecido que este primo antigo do homem usava fogo. Mas não se sabia se eram apenas brasas naturais coletadas após incêndios causados %u200B%u200Bpor raios ou erupções vulcânicas ou se, como o homem moderno, conhecia as técnicas para produzi-lo por conta própria.

"Apresentamos a primeira prova direta material de uma produção regular e sistemática de fogo pelos neandertais", escrevem os cientistas em um estudo publicado nesta quinta-feira na Scientific Reports.

"Encontramos as pedras que foram usadas %u200Bpelo homem de Neandertal acender fogo", explicou à AFP Marie Soressi, professora de pré-história na Universidade de Leiden (Holanda) e co-autora do estudo.

Os pesquisadores identificaram dezenas de sílex talhados nos dois lados (bifaces) com traços que parecem indicar que podem ter sido usados para friccionar minério ferroso, como pirita ou marcassita.

Uma das técnicas para acender fogo consiste em provocar atrito entre um sílex e pirita. Essa fricção produz faíscas muito energéticas. Se as deixarmos cair sobre grama ou folhas secas e assoprarmos um pouco, o fogo pega.

Marie Soressi, que participa de escavações pré-históricas na França, conhecia essas pedras bifaces "há muito tempo", mas não sabia explicar o motivo de alguns "traços intrigantes" sobre essas ferramentas do Paleolítico Médio. 

Andrew Sorensen da universidade de Leiden, principal autor do estudo, analisou os traços nessas pedras bifaces que serviam sem dúvida para outras funções (corte de carne, etc.).

- "Debate vai continuar" -
A olho nu, vemos "traços de fricção em forma de C, que permitem deduzir o ângulo e direção com que os sílex atingiram a pirita", diz Andrew Sorensen à AFP.

No microscópio, os pesquisadores também descobriram estrias e um padrão de desgaste muito específico. A equipe também realizou vários experimentos com réplicas das bifaces, submetendo-as a várias tarefas (por exemplo, esmagando o ocre para fazer pigmento). 

Quando o sílex foi colocado em atrito com a pirita produziram os traços os mais semelhantes aos encontrados nas pedras neandertais. O fato de encontrar dúzias de sílex bifaces com esses traços mostra que era "uma tecnologia predominante entre os neandertais nessa região há cerca de 50 mil anos", disse Sorensen. Ele acrescentou que não ficaria surpreso que no futuro sejam descobertos bifaces mais antigos, tento também sido usados para acender fogo.

O pesquisador concorda, no entanto, que sua análise dos traços "continua sendo uma interpretação". 

"Tenho certeza que o debate em torno da habilidade do Neandertal de produzir fogo continuará".

Para os neandertais, ser capaz de produzir seu fogo era algo crucial. Se dependessem do fogo natural, teriam que ser constantemente cuidadosos para alimentá-lo e carregá-lo com eles de acampamento para acampamento, certificando-se de que não se apagasse.

Por outro lado, se soubessem como produzir fogo, poderiam acendê-lo como quisessem, aponta Sorensen. "Isso deve permitir que eles economizem muito tempo e energia!"

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