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Correio Braziliense

Novo procurador-geral do Peru em polêmica por escândalo de áudios

Desde que começou o escândalo, o presidente do Supremo Tribunal, Duberlí Rodríguez, e o ministro da Justiça, Salvador Heresi, entre outros, renunciaram


postado em 20/07/2018 18:31


Lima, Peru - Um dia depois da queda do presidente da Suprema Corte do Peru pelo escândalo dos áudios, tudo aponta agora para o novo procurador-geral, que assumiu seu cargo nesta sexta-feira (20/7), ao divulgarem uma comprometedora conversa com um questionado juiz.

O novo procurador Pedro Gonzalo Chávarry assumiu em uma cerimônia marcada pela chamativa ausência do presidente Martín Vizcarra e de outras autoridades que haviam pedido para anular a nomeação do juiz por conta dos áudios. 

Uma conversa por telefone entre Chávarry e o juiz da Suprema Corte César Hinostroza, suspenso pelo escândalo dos áudios de tráfico de influência e venda de setenças, fez com que o Ministério Público convocasse de urgência uma Junta de Procuradores Supremos para decidir se procedia ou não que o novo procurador-geral assumisse.

Apesar do pedido do governo, a junta de procuradores ratificou a nomeação por uma apertada votação. Chávarry negou atos irregulares e obstinou-se em assumir seu cargo, para o qual havia sido eleito por três anos em junho, antes que explodisse o escândalo.

A votação havia ficado empatatada e o voto do próprio Chávarry, um dos membros da Junta de Procuradores Supremos, a seu favor decidiu o resultado.  A Procuradoria havia permanecido alheia ao escândalo até este momento. 

"Quero conversa com você para ver que ações tomar. Estou disposto a mudá-lo, isso é o que quero falar contigo, mas não diga a ninguém", diz Chávarry a Hinostroza no áudio, em alusão a uma suposta ação para remover um funcionário da judicatura incômodo para seus intereses.

Durante a cerimônia de posse, Chávarry disse que é alvo de "comentários carentes de fundamento", queixando-se que a mídia peruana "não me trata com respeito", e que sua conversa foi tirada de contexto.

A vice-presidente peruana, Mercedes Aráoz, pediu, sem sucesso, à Junta de Promotores que anulasse a nomeação de Chávarry.  "A conversa com Hinostroza é gravíssima e mostra que ele deveria ser investigado, e que mentiu", tuitou a vice-presidente.

Desde que começou o escândalo, o presidente do Supremo Tribunal, Duberlí Rodríguez, e o ministro da Justiça, Salvador Heresi, entre outros, renunciaram.

Enquanto isso, o Congresso realizará na tarde desta sexta-feira uma sessão extraordinária convocada pelo presidente Vizcarra como o primeiro passo de uma profunda reforma judicial.

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