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Correio Braziliense

Conferência sobre aids destaca avanços, mas sem baixar a guarda

O evento, realizado a cada dois anos, espera celebridades como o príncipe Harry, a atriz Charlize Theron e o cantor Elton John, além de 15.000 especialistas e ativistas


postado em 23/07/2018 17:07 / atualizado em 23/07/2018 17:56

 
A presidente da Sociedade Internacional de AIDS, Linda-Gail Bekker, abriu a conferência(foto: Robin van Lonkhuijsen / ANP / AFP)
A presidente da Sociedade Internacional de AIDS, Linda-Gail Bekker, abriu a conferência (foto: Robin van Lonkhuijsen / ANP / AFP)
 Amsterdã, Holanda - Mais dinheiro, mais prevenção e menos repressão às populações em risco. Estas são as principais mensagens da Conferência Internacional sobre a aids, que começou nesta segunda-feira (23) em Amsterdã para evitar uma volta da epidemia que causou 35 milhões de mortes.

Milhares de pesquisadores, ativistas e portadores deste vírus mortal se reuniram nesta segunda-feira para um encontro de cinco dias, marcado pelas advertências sobre os riscos da falta de fundos.

A 22ª Conferência Internacional sobre a aids buscará até sexta-feira capitalizar o poder de ativistas famosos como a atriz Charlize Theron, o cantor Elton John e o príncipe Harry da Inglaterra para impulsar um combate que segundo os especialistas está perdendo terreno em algumas partes do mundo.

"No Leste Europeu e Centro da Ásia as novas infecções aumentaram 30% desde 2010", alertou a presidente da International AIDS Society (IAS), Linda-Gail Bekker.

"Esta conferência, esperamos (...), também colocará o foco na única zona do mundo onde o HIV aumenta rapidamente, em grande medida devido ao uso de drogas injetáveis", acrescentou.

"Apesar dos notáveis avanços realizados, o progresso para acabar com a aids é lento", denunciou Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

E advertiu que não serão cumpridos os objetivos 2020 da ONU relativos à aids "porque há lugares demais no mundo onde as pessoas não obtêm os serviços de prevenção e tratamento que necessitam".

- Menos prevenção e financiamento -

Atualmente, 36,9 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV, esperando não desenvolver a aids. Quase três de cada cinco fazem tratamentos com antirretrovirais para evitar a doença, a proporção mais alta já alcançada.

O número de infecções diminui e, pela primeira vez desde o início do século, o total de mortes anuais foi inferior a um milhão em 2016 (990.000) e de novo em 2017 (940.000).

Mas paradoxalmente, estes avanços implicam um relaxamento na prevenção, o que, unido a uma redução do financiamento internacional, faz temer um retorno da epidemia.

"Vamos ter problemas se não temos mais dinheiro", afirmou no domingo o pesquisador americano Mark Dybul, ex-dirigente do Fundo Mundial de Luta contra a Aids.

No ano passado 20,6 bilhões de euros foram dedicados a programas de luta contra a aids em países com rendas baixas e médias, que financiaram por conta própria 56% dos programas, segundo a UNAIDS.

Mas o organismo da ONU de luta contra a aids calcula que faltam sete bilhões de dólares por ano para que esta doença deixe de ser uma ameaça para a saúde pública mundial até 2030.

A comunidade de pesquisadores e de associações teme sobretudo a redução das contribuições americanas.

Desde que Donald Trump foi eleito presidente, os Estados Unidos, historicamente o principal contribuinte à luta contra a aids, advertiram sobre cortes orçamentários que, por enquanto, não foram concretizados.

- "Não à guerra contra as drogas" -

A melhora generalizada da situação da epidemia no mundo esconde as fortes disparidades existentes.

As infecções estão em crescimento em cerca de 50 países, seja pela falta de prevenção ou devido às legislações repressivas contra as populações de risco, como homossexuais e dependentes químicos.

Por isso as associações pressionam as autoridades políticas internacionais para que deixem de reprimir a toxicomania e privilegiem os programas de redução de riscos, proporcionando, por exemplo, seringas esterilizadas ou salas de consumo.

"Just say no to the war on drugs" ("Diga não à guerra contra as drogas"), pede a reunião de associações Coalition PLUS em uma campanha que modifica um conhecido lema antidrogas americano da era Regan, nos anos 1980, "Just say no" ("Diga não" às drogas).

A guerra contra as drogas é "a melhor aliada das epidemias de HIV e hepatites virais" e "levou a uma verdadeira catástrofe de saúde", denuncia a Coalition PLUS.

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