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Correio Braziliense

Executivo francês blinda Macron em meio a escândalo de chefe de segurança

O primeiro-ministro, Edouard Philippe, assegurou que "nada foi ocultado" sobre o caso, repudiando acusações da oposição


postado em 24/07/2018 18:55 / atualizado em 25/07/2018 07:46

O ex chefe de segurança, Alexandre Benalla, agrediu dois manifestantes para dissipar um protesto em uma praça de Paris em 1º de maio(foto: Charly Triballeau / AFP)
O ex chefe de segurança, Alexandre Benalla, agrediu dois manifestantes para dissipar um protesto em uma praça de Paris em 1º de maio (foto: Charly Triballeau / AFP)

 
Paris, França - O Executivo francês cerrou fileiras nesta terça-feira (24) em torno do presidente Emmanuel Macron, cuja popularidade desabava, devido ao escândalo envolvendo um de seus chefes de segurança, que agrediu dois manifestantes durante um protesto, um caso que empurrou o chefe de Estado para sua pior crise política desde que chegou ao poder.

O primeiro-ministro, Edouard Philippe, assegurou nesta terça que "nada foi ocultado" sobre o caso de Alexandre Benalla, repudiando acusações da oposição, segundo a qual Macron quis encobrir este escândalo que atinge este que foi seu guarda-costas durante a campanha presidencial de 2017 e que é descrito como um pilar do aparato de segurança da Presidência.

Benalla, de 26 anos, agrediu dois manifestantes para dissipar um protesto em uma praça de Paris em 1º de maio, usando capacete e braçadeira da Polícia. O caso veio à tona na quarta-feira passada, depois que o jornal Le Mende divulgou um vídeo filmado por testemunhas da agressão.

O Palácio do Eliseu, sede do Executivo francês, inteirou-se do incidente um dia depois dos fatos, mas não informou à Justiça sobre a existência do possível delito, como prevê a lei.

"O responsável sou eu. Quem confiou em Alexandre Benalla fui eu, o presidente da República", declarou Macron nesta terça para deputados aliados e membros do governo em Paris.

"Não se pode ser chefe apenas quando as coisas saem bem para você (...) Respondo perante o povo francês".

"O que aconteceu em 1º de maio [...] foi grave, sério e uma decepção para mim, uma traição", revelou o chefe de Estado.

O assessor de segurança de Macron, que inicialmente havia sido punido com suspensão de 15 dias sem vencimentos, foi demitido e acusado de violência em concentração e usurpação de funções, depois que a imprensa revelou o caso, quase três meses após os fatos.

"Entendo que algumas pessoas se perguntam se a sanção adotada foi suficiente", destacou Philippe durante uma sessão acalorada com perguntas ao governo na Assembleia Nacional francesa, admitindo que, embora "uma República se esforce por ser exemplar, nem sempre é perfeita". 

Os deputados do partido conservador, Os Republicanos, anunciaram que vão apresentar uma moção de censura ao governo, embora seja pouco provável que o derrubem, graças à considerável maioria detida pelo partido presidencial, LREM, na Assembleia.

'Assumo minha decisão'

O chefe de gabinete de Macron, Patrick Strzoda, também defendeu nesta terça sua gestão do caso perante uma comissão parlamentar que investiga o incidente, explicando que não recorreu à Justiça porque considerou que "não havia elementos suficientes" para fazê-lo.

Acrescentou que, em vista de que não havia sido apresentada denúncia contra Benalla e que uma análise feita pelo corpo de supervisão da Polícia nacional não tinha apontado nenhuma irregularidade, não viu nenhuma necessidade de informar os promotores.

Strzoda disse, ainda, que decidiu "somente" a suspensão de Benalla. "Entendo que se possa considerar que não era adequada, mas no que me diz respeito, assumo minha decisão", afirmou.

Segundo pesquisa de opinião Elabe, 75% da população consideram que o presidente "deveria falar aos franceses".

Esta crise política é a mais grave que Emmanuel Macron enfrenta desde que foi eleito, em 2017.

Segundo pesquisa Ipsos, publicada nesta terça, a popularidade do chefe de Estado, que tinha prometido uma "Presidência exemplar", se situa em 32%, seu menor nível desde setembro de 2017, período das manifestações contra sua polêmica reforma trabalhista.

"Pensávamos que o Eliseu com Macron era um modelo de organização eficaz e descobrimos de súbito enormes problemas de funcionamento", explicou o cientista político Bruno Cautrès.

Este caso "marcará um antes e um depois para Emmanuel Macron", acrescentou o especialista do Centro de Pesquisa Política do centro universitário Science Po.

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