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Correio Braziliense

Paquistão vota em eleições legislativas após campanha marcada por atentados

No total, 106 milhões de eleitores estão convocados para votar em um país cuja população é de 207 milhões de habitantes, para eleger os deputados para os próximos cinco anos


postado em 25/07/2018 07:47 / atualizado em 25/07/2018 14:20

(foto: Wakil Kohsar/AFP)
(foto: Wakil Kohsar/AFP)

 
Islamabad, Paquistão - O Paquistão realizava nesta quarta-feira (24/7) eleições legislativas, ao final de uma tensa campanha marcada por atentados e acusações de interferência dos militares, constatou a AFP em Islamabad.

No total, 106 milhões de eleitores estão convocados para votar em um país cuja população é de 207 milhões de habitantes, para eleger os deputados para os próximos cinco anos.

Os mais de 85 mil colégios eleitorais abriram suas portas às 3h GMT (0h Brasília) e a votação será encerrada às 13h  GMT (10h). Os primeiros resultados devem ser divulgados na noite desta quarta-feira.

As Forças Armadas mobilizaram cerca de 370 mil soldados em todo o país para assegurar o bom desenrolar da votação - a maior operação do gênero na história do Paquistão para um dia de eleição.

Cerca de 450 mil policiais também estão mobilizados para esta votação, segundo as autoridades eleitorais.

Os eleitores estão divididos entre a Liga Muçulmana Paquistanesa (PML-N), de Shabaz Sharif, e o Tehreek-e-Insaf (PTI, "Movimento para a Justiça"), do popular ex-jogador de críquete Imran Khan.

Sharif votou pela manhã no centro de Lahore, capital da província de Pendjab, a mais populosa do país.


Imran Khan, que dirige o Tehreek-e-Insaf e que figura entre os favoritos, lançou um apelo aos seus eleitores, pedindo que "acordem cedo e saiam para votar", diante de milhares de partidários em Lahore. 

"A vitória é certa", declarou, por sua vez, seu rival Shahbaz Sharif, que substituiu seu irmão Nawaz, preso por corrupção, à frente da Liga Muçulmana (PML-N), no sul de Pendjab.

"Contra todas as expectativas, o PML-N está em boa posição para vencer as eleições", afirmou, enquanto o partido diz estar sendo perseguido pelo Exército e pela Justiça, em detrimento do PTI de Imran Khan.

A campanha eleitoral, de curta duração, mas extremamente dura, foi marcada por acusações de manipulações flagrantes pelo Exército, bem como pelo crescimento dos partidos religiosos extremistas e vários atentados que fizeram mais de 180 mortos, incluindo três candidatos.

No dia 12 de julho, um atentado em um comício eleitoral no Paquistão causou 149 mortos, tornando-se o segundo mais sangrento na história do país. Reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), o ataque foi o terceiro contra um comício na mesma semana no Paquistão.

A Comissão Eleitoral paquistanesa autorizou aos soldados amplo acesso e poderes nos colégios eleitorais, alimentando os temores de uma interferência. 

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