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Correio Braziliense

Paquistão desperta em meio a caos com denúncias de fraude eleitoral

Cerca de 106 milhões de eleitores foram chamados a comparecerem às urnas, para eleger seus deputados para os próximos cinco anos


postado em 26/07/2018 07:07

Um vendedor paquistanês organiza jornais matutinos em uma banca um dia depois da eleição geral em Islamabad (foto: Aamir Qureshi/AFP)
Um vendedor paquistanês organiza jornais matutinos em uma banca um dia depois da eleição geral em Islamabad (foto: Aamir Qureshi/AFP)

 
Islamabad, Paquistão - O Paquistão despertou nesta quinta-feira (26/7) em pleno caos eleitoral, com o partido do governo denunciando "fraudes flagrantes" e rejeitando os resultados parciais das legislativas, que sugerem a vitória do partido do ex-campeão de críquet Imran Khan.

A apuração está muito atrasada e segundo a imprensa local, 13 horas após o fechamento das urnas foram contados menos de 50% dos votos.

A Comissão Eleitoral Paquistanesa (ECP) atribuiu a lentidão a problemas técnicos relacionados com o uso de um novo sistema eleitoral.

"Estas eleições não estão contaminadas [...]. Foram 100% justas e transparentes", afirmou o diretor do ECP, Sardar Muhammad Raza, em entrevista coletiva nesta quinta-feira.

A Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), no poder nos últimos cinco anos, rejeitou "integralmente os resultados [...] devido a irregularidades claras e em massa".

"A apuração ocorre sem a presença dos nossos delegados".

O líder do PML-N, Shahbaz Sharif, denunciou que "são fraudes tão flagrantes que todo mundo começou a chorar". "O que fizeram hoje faz o Paquistão regredir 30 anos (...) Rejeitamos esse resultado".

O líder do Partido Popular Paquistanês (PPP, no poder entre 2008 e 2013), Bilawal Bhutto-Zardari qualificou o desenvolvimento das eleições de "imperdoável e escandaloso".

"Meus candidatos se queixam de que nossos delegados foram expulsos dos centros de votação em todo o país", tuitou o filho da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada em 2007.

Cerca de 106 milhões de eleitores foram chamados a comparecerem às urnas em um país de 207 milhões de pessoas, para eleger seus deputados para os próximos cinco anos. A sigla vencedora será chamada para formar o novo governo federal.

Imran Khan, líder do Paquistão Tehreek-e-Insaf (PTI) e ex-estrela do críquete, surge como principal candidato ao posto de premiê, liderando em todas as projeções.

Essa eleição não é apenas a segunda transição democrática de um governo civil para outro em um país, cuja história está marcada pelos golpes de Estado militares e pelos assassinatos de políticos.

Também é considerada a "eleição mais suja", devido às acusações de conchavos por parte das Forças Armadas, que podem ter beneficiado Khan.

A ex-estrela do esporte fez campanha com a promessa de construir um "Novo Paquistão" e se comprometeu a erradicar a corrupção, cuidar do meio ambiente e construir um "estado islâmico de bem-estar".

Sua campanha foi ofuscada pelas acusações de que teria o apoio das poderosas instituições de segurança do país. Veículos de comunicação e ativistas denunciam um "golpe silencioso" dos generais.

Os militares rejeitaram as acusações, garantindo não terem um "papel direto" na eleição.

Até 80.000 policiais e forças militares foram posicionados nos colégios eleitorais de todo país durante a votação, sob a alegação de evitar ataques.

Durante a campanha, morreram mais de 180 pessoas em vários atentados, incluindo três candidatos, e nesta quarta-feira um ataque suicida, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), deixou pelo menos 31 mortos e 70 feridos.

As autoridades eleitorais concederam amplos poderes aos oficiais militares dentro dos colégios eleitorais, o que aumentou os temores sobre uma possível manipulação.

Sharif acusou as Forças Armadas e a Justiça de terem feito todo o possível para prejudicar seu partido.

Mais de 19 milhões de novos eleitores, entre eles jovens e mulheres, parecem ter sido decisivos nessa acirrada corrida eleitoral.

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