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Correio Braziliense

Prazo para reunião de famílias migrantes se aproxima do vencimento nos EUA

Esta semana, advogados do governo reconheceram nos tribunais que nem todas as famílias poderão ser reunidas antes do vencimento do prazo


postado em 26/07/2018 16:30

(foto: Saul Loeb/AFP)
(foto: Saul Loeb/AFP)

 
Centenas de pais e crianças migrantes, separados ao entrar nos Estados Unidos pela fronteira com o México, continuavam em suspenso nesta quinta-feira (26/7), a poucas horas do vencimento do prazo para sua reunião.

A lentidão do governo do presidente Donald Trump e a deportação de alguns pais dificultam o reencontro das famílias antes do vencimento do prazo - às 22H00 GMT, 19h00 de Brasília -, fixado pelo juiz federal da Califórnia, Dana Sabraw.

Esta semana, advogados do governo reconheceram nos tribunais que nem todas as famílias poderão ser reunidas antes do vencimento do prazo.

As polêmicas separações começaram em maio, no âmbito da política de "tolerância zero" de Donald Trump, quando os migrantes que entravam no país pela fronteira sul, ilegalmente ou pedindo asilo, eram detidos e processados em massa. Consequentemente, milhares de crianças foram separadas dos pais ou tutores e enviados a albergues em todo o país.

Essa política gerou uma onda de críticas dentro e fora dos Estados Unidos, especialmente após a difusão de um áudio - supostamente gravado em um abrigo - no qual se ouve crianças pequenas chorando e chamando pelos pais, que em sua maioria migraram para fugir da violência das gangues da América Central.

O governo de Donald Trump anunciou o fim desta política após aplicá-la por seis semanas, permitindo a reunião de centenas de famílias.

No entanto, o ritmo tem sido lento, pois pais e menores foram detidos em diferentes partes do país - às vezes a milhares de quilômetros de distância - e alguns adultos foram deportados sem seus filhos.

A secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, disse na terça-feira que o governo busca "reunir todas as famílias elegíveis".

Em declarações à emissora Fox News, Nielsen disse que sua pasta trabalha muito de perto com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que opera refúgios em todo o país aonde as crianças - alguns bebês - foram enviados.

O governo identificou 2.551 crianças e adolescentes entre cinco e 17 anos que estariam amparados pela ordem judicial. Também detalhou que espera reunir 1.634 famílias no momento do vencimento do prazo.

917  casos inelegíveis

Os 917 restantes caem na categoria de "casos inelegíveis", segundo um boletim judicial do governo.

Isso quer dizer que os laços familiares não puderam ser confirmados ou que os pais têm antecedentes criminais, padecem de doença contagiosa ou não puderam ser localizados.

Desta cifra, 463 já poderiam estar fora do país, alguns voluntariamente, o que complica enormemente qualquer reunião com seus filhos.

"Os outros 917 casos, incluindo os 463 que podem não estar nos Estados Unidos, não serão reunidos antes do prazo", disse à AFP Adam Isacson, da ONG Escritório de Washington para a América Latina (WOLA). "Caberá ao juiz Sabraw decidir se aprova isto ou não".

Consultada sobre como o governo retornará filhos a pais que foram deportados, Nielsen respondeu: "Se os pais nos indicam que querem ser reunidos, logicamente que trabalharemos com eles".

Mas encontrar esses pais no México e na América Central será uma tarefa longa e complicada, disse Stephen Kang, advogado da maior organização de direitos humanos do país, a ACLU, que havia solicitado ao governo a reunião de famílias separadas.

Há um mês, Sabraw ordenou ao governo devolver aos pais as crianças menores de cinco anos até 10 de julho, e os com idades entre cinco e 17 anos nesta quinta-feira.

O governo descumpriu o primeiro prazo: considerou que 45 crianças eram inelegíveis porque seus pais não estavam aptos para recuperá-los.

Até agora, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos tinha sob custódia, em abrigos por todo o país, 11.500 crianças classificadas como Menores Estrangeiros Não Acompanhados (UACs, na sigla em inglês).

Esta cifra inclui crianças e adolescentes que entraram ilegalmente nos Estados Unidos sem a companhia de um adulto. Mas também contabiliza menores que entraram com suas famílias, foram separados e depois reclassificados como UACs ao chegar aos abrigos.

Até 16 de julho, 44.210 migrantes adultos estavam em custódia das autoridades migratórias dos Estados Unidos.

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