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Correio Braziliense

Premiê grego assume 'responsabilidade política' após incêndios mortais

Nesta sexta-feira, 27/7, o chefe do serviço médico legal de Atenas, Nikos Karakouis, elevou o número de vítimas mortais para 86


postado em 27/07/2018 15:27 / atualizado em 27/07/2018 15:35

Várias estruturas foram queimadas, relataram as autoridades(foto: Josh Edelson/AFP)
Várias estruturas foram queimadas, relataram as autoridades (foto: Josh Edelson/AFP)

 
Atenas, Grécia - O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assumiu nesta sexta-feira (27/7) "a responsabilidade política" da tragédia dos incêndios mortais que deixaram ao menos 87 mortos, em um discurso diante do Conselho de Ministros.

Ele indicou que convocou o conselho ministerial, porque gostaria, "primeiramente, de assumir integralmente, diante do povo grego, a responsabilidade política desta tragédia".

"Eu acredito que isso deve ser feito pelo primeiro-ministro e pelo governo do país", acrescentou.

Seu discurso se deu após as críticas à gestão dos incêndios, potencialmente de origem criminosa.

Nesta sexta-feira, 27/7, o chefe do serviço médico legal de Atenas, Nikos Karakouis, elevou o número de vítimas mortais para 86. O balanço anterior era de 82.

Na localidade de Mati, a mais afetada pelos incêndios, as equipes de resgate continuavam em busca dos desaparecidos, enquanto o processo de necropsia dos corpos das vítimas deve ser concluído nesta sexta-feira.

"De 75% a 80% dos corpos estão carbonizados", explicou na rádio 9,84 o presidente do conselho grego médico-legal, Grigoris Léon.

A identificação das vítimas levará alguns dias, e não se descarta que, no caso de algumas, "estrangeiras, ou solteiras", esse processo talvez demore mais.

O governo do Syriza (esquerda) anunciou na quinta-feira, 25/7, à noite que a Justiça tem "fortes indícios" de que o incêndio que devastou a costa oriental de Ática seja de origem criminal.


Urbanismo anárquico

As autoridades do governo grego que caminhavam nesta sexta-feira, 27/7, pelas áreas incendiadas questionaram as violações, durante décadas, das regras de urbanismo e construção. O governo apontou que, nessa área da costa de Ática, havia pelo menos 4.000 casas construídas irregularmente no meio de florestas de pinheiros.

"Toda a Grécia está construída sobre esse modelo", lamentou o ministro do Interior, Panos Skourletis, que lembrou que seu governo "terá de enfrentar interesses organizados".

Este tipo de mea-culpa tende a ser comum entre as autoridades gregas após cada incêndio fatídico, mas não leva a medidas concretas para impedir as violações das regras de planejamento urbano.

Na quinta-feira à noite, 26/7, o porta-voz do Executivo, Dimitris Tzanakopoulos, voltou a justificar o fatídico balanço pela força do vento, durante uma coletiva de imprensa.

A progressão meteórica do fogo, que devastou esta área nos arredores da capital grega "em apenas uma hora e meia", dificultou a margem de manobra para evacuar os moradores afetados, explicou o porta-voz do governo Syriza.

As autoridades também lembraram que os bombeiros enfrentaram 13 incêndios diferentes em Ática.

A oposição criticou as explicações do governo. "Este infeliz espetáculo de não assumir qualquer responsabilidade só pode causar mais raiva", garantiram fontes da Nova Democracia (direita), o principal partido da oposição.

"Incapazes e provocadores", foi a manchete do jornal Ta Néa, ligado a esta formação conservadora.

"Nem uma única demissão", indignou-se um dos líderes da oposição de centro, Stavros Théodorakis.

"Este governo é perigoso e tem que partir", reiterou Fofi Gennimatas, outra opositora de centro.

O vice-ministro para a Proteção dos Cidadãos, Nikos Toskas, assegurou que ele não renunciaria, como foi solicitado pelo primeiro-ministro.

"A questão agora é saber o que pode ser feito" para evitar uma nova tragédia, enfatizou em seu editorial o jornal liberal Kathimerini.

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