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Correio Braziliense

Coreia do Norte começa a devolver aos EUA restos mortais de soldados

A iniciativa foi elogiada pela Casa Branca como um gesto "positivo" a favor da frágil distensão entre ambos os países


postado em 27/07/2018 15:35 / atualizado em 27/07/2018 15:43

A iniciativa foi elogiada pela Casa Branca como um gesto
A iniciativa foi elogiada pela Casa Branca como um gesto "positivo" a favor da frágil distensão entre ambos os paíse (foto: Saul Loeb/AFP)

 
Seul, Coreia do Sul - O avião militar trazendo os restos mortais de soldados americanos caídos na Guerra da Coreia que estavam no território norte-coreano pousou na Coreia do Sul nesta sexta-feira (27/7) - informou a TV sul-coreana em transmissão ao vivo.

A iniciativa foi elogiada pela Casa Branca como um gesto "positivo" a favor da frágil distensão entre ambos os países, e o presidente Donald Trump agradeceu ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, por "manter sua palavra".

"Quero agradecer ao presidente Kim por manter sua palavra", disse Trump nesta sexta, anunciando que o vice-presidente Mike Pence se reunirá com as famílias de soldados mortos na guerra da Coréia, quando os restos mortais chegarem aos Estados Unidos.

O retorno dos restos dos americanos mortos nesse conflito (1950-53) faz parte de um acordo firmado entre o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente americano, Donald Trump, em sua histórica cúpula realizada em junho.

"Depois de tantos anos, este será um bom momento para tantas famílias. Obrigado Kim Jong Un", tuitou Trump.

Esse retorno coincide com o 65º aniversário do armistício que terminou com as hostilidades na península da Coreia.

O avião de carga pousou às 2h GMT (23h de quinta em Brasília) na base aérea de Osan, onde os soldados americanos montaram uma guarda de honra.

A Casa Branca confirmou a informação e disse que a aeronave usada havia decolado da Coreia do Norte.

"Um avião C-17 da Força Aérea Americana que contém os restos dos soldados caídos saiu de Wonsan, Coreia do Norte", relata um comunicado.

Mais de 35.000 americanos morreram na Península Coreana durante a guerra. Destes, 7.700 são reportados como desaparecidos, incluindo 5.300 em território norte-coreano, segundo dados do Pentágono.

"As ações de hoje representam um primeiro passo muito significativo para recomeçar a repatriação dos restos da Coreia do Norte e para retomar as operações de campo na Coreia do Norte para buscar um número estimado de 5.300 americanos que ainda não voltaram para casa", acrescentou a Casa Branca.

Cobrança

Entre 1990 e 2005, um total de 229 conjuntos de restos mortais procedentes da Coreia do Norte foram repatriados, mas essas operações foram suspensas quando os vínculos entre ambos os países se deterioraram pelo programa nuclear de Pyongyang.

Está previsto que os restos que aterrissaram em Osan, nesta sexta, sejam enviados para o Havaí para serem examinados por especialistas forenses.

O Comando das Nações Unidas na Coreia do Sul (UNC) disse que há 55 conjuntos de restos mortais no avião.

"Foi uma missão bem-sucedida depois de uma exaustiva coordenação", disse o general Vincent Brooks, comandante das tropas do UNC e do contingente americano.

Trump celebrou os acordos da cúpula com Kim como um freio efetivo da ameaça nuclear da Coreia do Norte, ainda que Pyongyang tenha se comprometido apenas de maneira difusa com a "desnuclearização da Península da Coreia" - algo distante do conceito de um desarmamento completo, verificável e irreversível exigido por Washington.

O tema da repatriação dos restos mortais de americanos caídos em combate era considerado um tema menos espinhoso e, na cúpula, deixou-se estabelecido o retorno imediado daqueles "já identificados".

O ex-governador do Novo México Bill Richardson, que trabalhou em temas de repatriação e já havia estado na Coreia do Norte várias vezes, advertiu que Pyongyang pode reter mais devoluções para buscar obter mais dinheiro dos Estados Unidos.

"Eles vão entregar um certo número de restos mortais grátis de forma imediata", disse ele ao jornal "The Washington Post".

"Mas, depois, vão dizer: 'para os próximos, vamos precisar encontrá-los, localizá-los, restaurá-los'. E aí vão começar a cobrar e vão pressionar isso", alertou.

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