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Correio Braziliense

Centro de formação de parteiras é atacado no Afeganistão

Ataque durou 7 horas e deixou dois terroristas, um guarda e um motorista mortos, além de cinco pessoas feridas


postado em 28/07/2018 10:25 / atualizado em 28/07/2018 12:10

Um centro de formação de parteiras em Jalalabad, uma das cidades mais conservadoras do leste do Afeganistão, foi alvo, neste sábado (28/7), de um ataque, que terminou após sete horas e a morte dos dois terroristas.

Os 67 estudantes e funcionários do centro de formação foram libertados em segurança, mas duas pessoas foram mortas - um guarda e um motorista - e cinco feridas, segundo indicou à AFP o porta-voz da polícia de Nangarhar, Ghulam Sanyee Stanikzai.

O ataque não foi reivindicado, mas um porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, assegurou à AFP que "o ataque de Jalalabad não tem nada a ver com a gente", deixando supor que a ação foi conduzida por extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

"O ataque foi dirigido contra o nosso centro de formação de parteiras", declarou o porta-voz da secretaria de saúde provincial, Inamula Miakhil, depois que vários moradores relataram explosões na área.

O porta-voz do governador da província de Nangarhar, Attaula Khogyani, confirmou o fim da operação, indicando que três membros das forças armadas foram feridos.

Ele havia explicado, num primeiro momento, que 57 pessoas, incluindo estudantes, professores e funcionários administrativos, que estavam no prédio "estavam em segurança, mas ainda faltam dez".

Uma primeira explosão ocorreu às 11h30 (04h00 de Brasília) e, "até o momento, três feridos foram levados para o hospital, várias parteiras receberam cuidados", acrescentou.

Testemunhas explicaram à AFP que ouviram várias explosões, seguidas de tiros. Ehsan Niazi, que estava na secretaria do Trabalho e Assuntos Sociais, localizado em um edifício próximo ao centro de formação, viu fumaça saindo do prédio e várias ambulâncias.

"Após a primeira explosão, ouvi outras três e vi três atacantes na rua que leva ao centro de formação", explicou.

Outra testemunha que não quis se identificar disse ter ouvido tiros. "Eu ouvi disparos e vi vários assaltantes colocando minas" para impedir a aproximação dos socorristas e das forças de segurança. "As forças afegãs estão desativando as bombas para avançar", acrescentou.

A formação de parteiras é essencial no Afeganistão, onde, segundo dados da Unicef, apenas 45% das mulheres recebem assistência médica durante o parto.

A taxa de mortalidade infantil melhorou consideravelmente nos dez anos seguintes à intervenção americana em 2001 para derrubar o regime talibã.

Mas, desde então, este quadro tem se agravado pela falta de pessoal qualificado e estruturas de saúde em áreas remotas ou inseguras, diz a USAID, a agência de desenvolvimento dos Estados Unidos e um dos principais doadores do país. 

Em 2015, a taxa de mortalidade infantil foi de 396 mortes para cada 100.000 nascimentos, em comparação com mais de 1.600 estimados em 2002. No entanto, vários observadores questionam estes números, porque a Unicef não tem acesso a várias áreas. 

A cidade de Jalalabad, capital do leste do Afeganistão e na província de Nangarhar, é uma das mais conservadoras do país e alvo de ataques do Talibã ou do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

O último atentado ocorreu em 11 de julho contra um prédio que abriga a secretaria de Educação. A operação, que ainda não foi reivindicada, deixou pelo menos onze mortos.

Na véspera, um ataque suicida do EI contra um comboio dos serviços de informação afegãos deixou 12 mortos, a maioria civis, que morreram em um incêndio em um posto de gasolina causado pela explosão.

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