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Correio Braziliense

Falsos médicos, entre eles brasileiros, deixam Argentina em alerta

Jovens usavam matrícula de médicos nascidos no mesmo país que eles. Dois brasileiros foram denunciados na cidade de Cañuelas


postado em 28/07/2018 12:27

Buenos Aires, Argentina - Hospitais e clínicas da Argentina estão em alerta, após a divulgação, nesta semana, de casos de brasileiros, bolivianos e argentinos exercendo a medicina ilegalmente e sem diploma.


A polêmica começou na última quarta-feira, depois que o hospital Dr. Angel Marzetti, da localidade de Cañuelas, denunciou que dois brasileiros trabalharam no local durante meses como falsos médicos, usando identidade, título e matrícula de dois profissionais da mesma nacionalidade.

O centro de saúde afastou de seu quadro outros quatro médicos que apresentavam irregularidades em seus documentos.

Segundo o Colégio de Médicos da Província de Buenos Aires, que concentra um terço da população do país, existem 26 fraudes apenas nesse distrito.

O Colégio detectou casos de cidadãos argentinos e estrangeiros que fraudaram suas identidades, não concluíram seus registros ou omitiram a revalidação de seus títulos na Argentina, no caso dos estrangeiros.

Matrícula de aposentada

Entre estes casos se destaca o de "uma médica boliviana que usava a matrícula de uma colega aposentada e, quando fomos prendê-la, escapou", contou à AFP o médico Rubén Tucci, presidente do Conselho Superior do Colégio de Médicos da província de Buenos Aires.

Também foi revelado o primeiro dos casos ocorridos na cidade de Buenos Aires, envolvendo um boliviano de 27 anos que não teria estudado medicina e exerceu a profissão de forma ilegal em uma clínica psiquiátrica particular do bairro de Caballito chamada Emanuel. 

Um venezuelano de 34 anos também é investigado por usar a matrícula de uma mulher para poder trabalhar nos plantões da clínica Ángel Pedro Salas, localizada no bairro de San Martín, periferia de Buenos Aires.

"Ele chegou a fazer três plantões na clínica. Nós o detectamos, telefonamos para a polícia e ele foi preso", contou Tucci.

"A saúde da população é prioridade para nós, e isto está em risco", assinalou o profissional. "É uma irresponsabilidade absoluta dos diretores das clínicas contratar estes tipos de pessoa, porque eles têm apenas que entrar em contato conosco para verificar a documentação de um médico."

Os ministérios da Saúde da nação, da província e da cidade de Buenos Aires ainda não iniciaram investigações oficiais, uma vez que os casos ocorreram em órgãos municipais, embora, ao serem consultados, tenham afirmado que acompanham de perto o assunto.

Controles fracos

"Pode ser que as autoridades estejam preocupadas, porque há muitos lugares onde o controle tem sido muito fraco, e todas as notícias que saírem farão com que todos comecem a investigar, embora não acredite que haja muitos casos", assinalou o médico Carlos Schwartz. 

O profissional, integrante do grupo Pacto Argentino pela Inclusão na Saúde (País), disse que "não é raro que os casos detectados envolvam estrangeiros, porque com os países latinos há acordos extremamente fracos, e eles começam rapidamente a exercer. Além disso, são muito mais baratos do que os médicos argentinos. Ao contrário, um médico europeu não pode exercer a profissão na Argentina."

"Quase todos os casos que surgiram historicamente foram de estudantes muito avançados, pessoas que não concluíram o curso por algum motivo e fazem tarefas de prática", indicou Schwartz.

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