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Correio Braziliense

EUA acusam Ortega e esposa pela violência na Nicarágua

Na semana passada, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos havia defendido mais sanções contra o governo Ortega


postado em 30/07/2018 17:36 / atualizado em 30/07/2018 20:30

(foto: Marvin Recinos / AFP)
(foto: Marvin Recinos / AFP)
Washington, Estados Unidos  - A violência que atinge a Nicarágua nos últimos meses e que já deixou 350 mortos é responsabilidade do presidente Daniel Ortega e de sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo, afirma a Casa Branca em um comunicado.

"Ortega e Murillo são responsáveis em última instância pelos grupos parapoliciais favoráveis ao governo e que brutalizaram seu próprio povo", afirma a nota.

No documento, a Casa Branca passa em revista as medidas adotadas a este respeito, em especial a sanção a três funcionários nicaraguenses, passo que considera "o início e não o fim de potenciais sanções".

Além disso, Washington revogou ou restringiu a concessão de vistos a funcionários nicaraguenses que tenham qualquer relação com a repressão aos protestos ou atos de violência.

Segundo a nota, a Casa Branca tramitou a devolução de automóveis que foram doados à Polícia Nacional da Nicarágua e que teriam sido utilizados na repressão.

Na semana passada, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou por aclamação a resolução "H.RES. 981", que condena "a perseguição e os assassinatos de manifestantes pacíficos" por parte das autoridades nicaraguenses e pediu ao governo de Donald Trump que sancione os responsáveis.

"O texto pede aos Estados Unidos que continue condenando as atrocidades na Nicarágua, exija a libertação dos detidos injustamente e identifique as pessoas que participam desta violência (...) para que sejam submetidas às sanções previstas na lei Global Magnitsky".

Washington sancionou, em 5 de julho, três funcionários nicaraguenses ligados a Ortega com base na Global Magnitsky, que permite aos Estados Unidos punir os que atentam contra os direitos humanos ou pratiquem atos de corrupção em outros países.

A resolução aprovada na semana passada também exorta à realização de eleições "livres, justas e sob uma observação internacional crível" na Nicarágua, como exigem os manifestantes.

Os protestos na Nicarágua começaram em 18 de abril, com uma manifestação contra a reforma da Previdência, mas logo se transformaram em um movimento contra Ortega, que governa o país desde 2007, após sucessivas reeleições.

Também na semana passada, o vice-presidente americano Mike Pence exigiu de Ortega o fim da violência na Nicarágua, que considerou "patrocinada pelo Estado". Em uma mensagem publicada no Twitter, Pence também pediu que sejam antecipadas as eleições presidenciais previstas para 2021.
 

- "Inimigo poderoso" -

Em entrevista à Euronews, Ortega declarou que enfrenta "um inimigo poderoso", que "são os Estados Unidos", que segundo o presidente entregou milhões de dólares a grupos locais responsáveis pelos protestos. Estes fundos "se destinam a desestabilizar o país e a estimular ações armadas por bandos que cometem crimes". 

Na mesma entrevista, Ortega admitiu que seu governo controla os paramilitares que têm agido como força de choque contra os manifestantes. "São policiais voluntários".

Em outra entrevista, Ortega havia chamado os paramilitares de grupo "organizado pela direita golpista".

Apesar da repressão, centenas de estudantes universitários da cidade de León, um importante polo acadêmico da Nicarágua, se declararam em desobediência nesta segunda-feira e realizaram uma passeata para exigir justiça para os mortos nos protestos.

Os estudantes condenaram ainda a demissão de 80 médicos e pessoal de saúde que socorreram e apoiaram feridos nos protestos nas cidades de León e Jinotepe.

Nesta segunda-feira, jornalistas independentes protestaram em Manágua contra as agressões que estão sofrendo durante a cobertura das manifestações.

Os protestos na Nicarágua começaram em 18 de abril, com uma manifestação contra a reforma da Previdência, mas logo se transformaram em um movimento contra Ortega, que governa o país desde 2007, após sucessivas reeleições. 

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