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Correio Braziliense

EUA querem manter discussões com Coreia do Norte, apesar de suspeitas

De acordo com as agências de Inteligência americanas, a Coreia do Norte construiu "um, talvez dois" novos mísseis em um grande complexo de pesquisa em Sanumdong


postado em 01/08/2018 13:21

(foto: AFP / SAUL LOEB)
(foto: AFP / SAUL LOEB)
Os Estados Unidos querem manter sob os trilhos as discussões com Pyongyang sobre a desnuclearização da península coreana, apesar dos vários relatos indicando que o regime norte-coreano tem dado prosseguimento aos seus programas nucleares e de mísseis, afirmam especialistas.

De acordo com as agências de Inteligência americanas citadas na segunda-feira pelo jornal "The Washington Post", que se baseiam em imagens de satélite, a Coreia do Norte construiu "um, talvez dois" novos mísseis em um grande complexo de pesquisa em Sanumdong, perto de Pyongyang, onde o primeiro míssil norte-coreano capaz de chegar à costa leste dos Estados Unidos foi fabricado.

Quando perguntado, o Pentágono afirmou que não "comentaria questões de Inteligência".

Mas essas revelações surgem apenas alguns dias após o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, admitir em uma audiência no Congresso que Pyongyang continuava a produzir matéria nuclear, seis semanas depois de uma cúpula histórica entre Donald Trump e Kim Jong-un.

Para Harry Kazianis, do think tank conservador Center for the National Interest, tais informações não são surpreendentes, porque o líder norte-coreano está apenas executando o que sempre disse.

"Não estou chocada", disse Kazianis à AFP.

Kim Jong-un "escreveu em preto e branco: os norte-coreanos produzirão mísseis e armas nucleares em massa", completou.

Na cúpula de Singapura, em 12 de junho, Kim nunca prometeu suspender as atividades dos locais de fabricação de mísseis. Ele apenas prometeu "trabalhar para" uma desnuclearização da península coreana.

E, acima de tudo, ele não se comprometeu a se desarmar unilateralmente.

Joel Wit, fundador do respeitado site 38 North, ressalta que não é de surpreender que um país em processo de negociação continue suas atividades até o último momento, lembrando que a cúpula Trump-Kim resultou na assinatura de uma declaração, e não de um acordo.

"Quando se envolvem nesse tipo de negociação (...), os países não param tudo para ver como as discussões vão avançar", indicou à AFP.

"Eles normalmente continuam seus programas até que haja resultados, e é isso que acontece aqui", explicou.

Foi o site 38 North que divulgou há poucos dias imagens de satélite mostrando que a Coreia do Norte começou a desmantelar a infraestrutura de sua principal base de lançamento de satélites, a de Sohae, considerada local de testes para seus mísseis balísticos intercontinentais.

- Pressão sobre Washington -

Mas, para Bruce Bennett, do centro de pesquisa Rand Corporation, as imagens de satélite das atividades de Pyongyang em suas instalações nucleares mostram que a Coreia do Norte procura pressionar Washington a obter uma suspensão gradual das sanções internacionais que paralisam sua economia.

"Os norte-coreanos sabem que estamos assistindo", indicou à AFP.

Eles "querem uma redução das sanções à medida que deixarem de fazer certas coisas", acrescenta o especialista, lembrando que os Estados Unidos insistem em que as sanções serão suspensas somente quando a desnuclearização for concluída.

Pompeo está em Singapura esta semana para reuniões da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). E, de acordo com um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado americano, pedirá aos países asiáticos que continuem implementando as sanções contra a Coreia do Norte para forçá-la a abandonar suas armas nucleares.

"Todos os países-membros da ONU devem implementar as sanções previstas pelas resoluções do Conselho de Segurança", disse na terça-feira o alto funcionário que pediu anonimato, enquanto os Estados Unidos criticaram recentemente alguns relaxamentos, principalmente por parte da China e da Rússia.

Pompeo não descartou uma reunião bilateral com seu colega norte-coreano para continuar as negociações.

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