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Correio Braziliense

Atentado suicida contra mesquita xiita deixa mortos no Afeganistão

Ao menos duas pessoas começaram a disparar contra a multidão e depois detonaram seus explosivos


postado em 03/08/2018 09:41 / atualizado em 03/08/2018 11:58

Khost, Afeganistão - Pelo menos 29 pessoas morreram, e 81 ficaram feridas, nesta sexta-feira (3), em um duplo atentado suicida contra uma mesquita xiita no leste do Afeganistão.

Disfarçados de mulheres, os agressores invadiram o templo que fica em Gardez, na província de Paktia, perto da fronteira paquistanesa, e abriram fogo contra os fiéis antes de detonarem seus explosivos, relataram as autoridades.

"Eram homens que usavam burcas para esconder os explosivos e as armas automáticas sob a roupa", informou à AFP o delegado da província de Paktia, general Raz Mohammad Mandozai.

"Havia dois suicidas. Primeiro, eles abriram fogo contra a multidão dentro da mesquita xiita, antes de detonar sua carga", afirmou o general.

"Contabilizamos 29 mortos e 81 feridos. Todas as vítimas são fiéis que estavam reunidos para a oração de sexta-feira", acrescentou o general Mandozai.

Não é a primeira vez que autores de atentados recorrem a burcas para concluir sua ação, aproveitando-se do fato de que as mulheres raramente são revistadas.

O novo balanço foi confirmado por Abdullah Hasrat, porta-voz do governo na província de Paktia, da qual Gardez é a capital.

Segundo ele, o atentado aconteceu no início da oração, pouco depois das 13h30 (6h, horário de Brasília). O porta-voz confirmou a dupla explosão.

Vizinho do imóvel atacado, Sayed Naimatullah, de 30 anos, contou à AFP que seguiu para o local da tragédia logo após o atentado e viu "fiéis mortos e feridos espalhados pela mesquita".

"Nunca havia sido testemunha de uma explosão dessas", acrescentou ele, que vive em uma província muito instável, que já registrou inúmeros atentados na última década.

Desmentido dos talibãs

As operações de socorro e de retirada dos escombros continuam. O entorno da mesquita foi totalmente cercado pela polícia.

O atentado ainda não foi reivindicado, mas, por meio de seu porta-voz, Zabihullah Mujahid, os talibãs rapidamente disseram "não ter nada a ver" com o massacre, apontando, mais uma vez, de forma implícita, para o grupo Estado Islâmico.

Há dois anos a minoria xiita do Afeganistão tem sido alvo de ataques atribuídos aos extremistas do EI.

Em julho, os talibãs anunciaram que não farão mais operações na zona urbana, se houver o risco de atingir civis.

Enquanto isso, o EI multiplica seus ataques. Seus combatentes registraram pesadas perdas na frente militar, confrontados com ofensivas dos talibãs no norte, assim como dos Exércitos afegão e americano no norte e na província de Nangarhar, ao leste.

Mais de 150 membros do EI se entregaram às forças afegãs no início da semana na província de Jawzjan, no norte do país.

A província montanhosa de Paktia, de maioria pashtun e tribal, é um território de difícil acesso. Fica na fronteira com zonas tribais do Paquistão, de onde vêm e vão talibãs e membros da rede Haqqani.

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