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Correio Braziliense

Cronologia da situação no Irã após saída dos EUA do acordo nuclear

O presidente Donald Trump anunciou, em 8 de maio, a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã


postado em 06/08/2018 13:33

No dia 21 de maio, o governo dos Estados Unidos ameaçou o Irã com as sanções(foto: Mandel Ngan/AFP)
No dia 21 de maio, o governo dos Estados Unidos ameaçou o Irã com as sanções (foto: Mandel Ngan/AFP)

 
Teerã, Irã - Depois que o presidente Donald Trump anunciou, em 8 de maio, a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, estes são os principais fatos que marcaram as relações entre as duas grandes potências.

Trump anuncia retirada

Trump anunciou em 8 de maio de 2018 a saída dos Estados Unidos do acordo e o restabelecimento das sanções contra o Irã e as empresas internacionais que façam negócios com o país.

Acertado em 2015 depois de dois anos de negociações entre o Irã, Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Alemanha, este pacto permitiu levantar uma na parte das sanções contra Teerã e conseguir o compromisso do regime islâmico iraniano de não ter nenhuma bomba nuclear.

Segundo o Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA), o Irã respeitou as condições do acordo. Depois de sua saída unilateral, Washington indicou que as sanções seriam efetivadas de maneira imediata para os novos contratos e deu um prazo de 90 a 180 dias para que as multinacionais abandonassem suas atividades no Irã.

França, Alemanha e Reino Unido afirmaram estar decididos a garantir a execução do texto e preservar os benefícios econômicos para a população iraniana.

Teerã quer garantias

Em 8 de maio, o presidente iraniano Hassan Rohani, advirtiu que Teerã poderá deixar de respeitar as limitações impostas pelo acordo nuclear e voltar a enriquecer urânio caso as negociações com os dirigentes europeus, russos e chineses não deem os resultados esperados.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, exigiu, em 9 de maio, garantias reais aos líderes europeus. Quatro dias depois, o chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif, começou uma rodada diplomática para salvar o acordo.

Apesar de os dirigentes europeus se comprometerem em Bruxela que garantiriam recursos econômicos ao Irã, grandes empresas, como a francesa Total, detiveram suas atividades econômicas no Irã ante o temor das sanções americanas.

Pressão

No dia 21 de maio, o governo dos Estados Unidos ameaçou o Irã com as sanções "mais fortes da história" caso Teerã não aceitasse as condições para alcançar um "novo acordo", que teria como objetivo reduzir a influência do regime iraniano no Oriente Médio. 

A vice-presidente iraniana, Masoumeh Ebtekar, declarou em 8 de junho que o Irã desejava que a preservação do acordo fose confirmada "o mais rápido possível". Também alertou que o país havia iniciado "os trabalhos preparatórios" para voltar a enriquecer urânio, no caso de um rompimento definitivo do pacto. 

Apoio ao Irã

Em 2 de julho, o diretor político do Departamento de Estado, Brian Hook, recordou que Washington estava empenhado em reduzir a zero as exportações de petróleo iranianas. No dia seguinte, Rohani respondeu que as autoridades americanas nunca conseguiriam impedir o Irã de exportar petróleo. 

Os dirigentes dos países europeus, da Rússia e da China anunciaram no dia 6 de julho o desejo de permitir ao Irã a continuidade da exportação de petróleo e gás. O compromisso constava de uma lista de 11 objetivos estabelecidos em Viena durante uma reunião com Teerã. 

Dez dias mais tarde, os líderes europeus rejeitaram o pedido dos Estados Unidos de isolar economicamente o Irã e aprovaram medidas jurídicas para proteger as empresas europeias das sanções americanas. 

No dia seguinte, no entanto, fontes europeias reconheceram que o governo americano rejeitou o pedido para que Washington não punisse as empresas europeias presentes no Irã. 

Então, o governo iraniano elevou o tom com o anúncio de uma denúncia contra o governo dos Estados Unidos na Corte Internacional de Justiça pela retomada das sanções. 

Ameaças

Em 22 de julho, o presidente Rohani advertiu Washington a 'não brincar com o fogo' - utilizando uma expressão em farsi que recomenda "não brincar com a cauda do leão" - e afirmou que um conflito com o Irã "seria a mãe de todas as guerras".  Trump reagiu exigindo que o Irã "nunca mais" volte a ameaçar os Estados Unidos. 

O presidente americano, porém, mudou o tom do discurso uma semana depois e no dia 30 de julho afirmou que estava disposto a reunir-se com os dirigentes iranianos "quando eles desejarem, sem condições prévias". "As ameaças, as sanções e os efeitos do anúncio não funcionarão", reagiu o chefe da diplomacia iraniana. 

Tensão

Manifestantes iranianos atacaram em 3 de agosto uma escola religiosa em uma província próxima a Teerã.  Centenas de pessoas se reuniram nos últimos dias nas grandes cidades iranianas para protestar contra as dificuldades econômicas, que podem aumentar a partir de 7 de agosto com o restabelecimento da primeira bateria de sanções americanas. 

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