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Correio Braziliense

Prosseguem buscas por sobreviventes entre ruínas de viaduto na Itália

O ministro do Interior indicou que pelo menos trinta pessoas morreram na queda da ponte, além dos muitos feridos em estado grave


postado em 14/08/2018 17:39 / atualizado em 14/08/2018 18:45

Na área delimitada aos socorristas, os cães seguem rastros e buscam corpos em meio aos escombros e aos blocos de cimento(foto: AFP)
Na área delimitada aos socorristas, os cães seguem rastros e buscam corpos em meio aos escombros e aos blocos de cimento (foto: AFP)
 
Genoa, Itália - Em meio a enormes blocos de concreto, centenas de socorristas buscavam sem descanso nesta terça-feira à noite (horário local, tarde no Brasil) sobreviventes entre os escombros do viaduto que colapsou horas antes em Gênova. 

"Não deixaremos de buscar pessoas até termos certeza que ninguém se encontra sob os escombros", assegurou o chefe dos bombeiros, Bruno Frattasi.  


Ninguém se atreve, contudo, a adiantar um balance definitivo das vítimas da queda da ponte Morandi, que muitos genoveses cruzaram durante toda sua vida e que conhecem por seus diferentes problemas e suas caras e polêmicas obras de manutenção.

"Não se perde a esperança, tiramos dezenas de pessoas que estavam embaixo de pedaços de concreto, trabalharemos até que a última vítima seja resgatada", confessa à AFP Emanuele Giffi, encarregada de coordenar os 300 bombeiros que trabalham em três áreas. "Todas as vítimas estavam cruzando o viaduto", conta ao especificar que caíram em um vazio de aproximadamente 45 metros de altura.
 Para muitos foi uma tragédia anunciada porque a ponte apresentava rachaduras e sua demolição já havia sido proposta(foto: AFP)
Para muitos foi uma tragédia anunciada porque a ponte apresentava rachaduras e sua demolição já havia sido proposta (foto: AFP)

Alguns dos sobreviventes apresentam fortes traumas e são evacuados em macas laranjas pelos helicópteros. O local está completamente cercado pela polícia, que somente deixa entrar os serviços de emergência e impede a chegada de curiosos e inclusive de jornalistas.

Não muito longe, centenas de curiosos subiram no terraço de um centro comercial para acompanhar as operações e o sobrevoo de helicópteros. "Não dormiremos", confessou um porta-voz da proteção civil, que continuará escavando a noite toda sem descanso.

"Vivo ali, vejo a ponte todos os dias e caminhava a pé por baixo dela todos os dias", contou Ibou Touré, um senegalês de 23 anos. "Nunca me sentia seguro, escutávamos ruídos o tempo todo, sobretudo quando os caminhões passavam", conta. 

Uma tragédia anunciada

 
"Soube que havia colapsado quando caminhava da minha casa para o trabalho, e a verdade é que não me surpreendeu", acrescentou.

Para muitos foi uma tragédia anunciada porque a ponte apresentava rachaduras e sua demolição já havia sido proposta. Na área delimitada aos socorristas, quase todos especialistas em tremores, os cães seguem rastros e buscam corpos em meio aos escombros e aos blocos de cimento. 

As famílias das vítimas recebem assistência psicológica. Não muito longe, um grupo de cerca quinze pessoas observa o vazio deixado pelo ponte, as mulheres choram. 

Depois das fortes chuvas da manhã, voltou o bom tempo, o que facilita o trabalho.

Patrick Villardry, um bombeiro francês especializado na busca de vítimas entre os escombros, espera sua turno com um colega e seus dois cachorros: Arco e Misiles. Os dois já haviam ajudado após o terremoto de L'Aquila em 2009 no centro da Itália. 

"Por enquanto temos que esperar, há muita confusão", disse. Seus cachorros estão prontos para substituir os italianos quando chegar o momento.

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