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Correio Braziliense

Venezuelanos estocam comida e gasolina antes de novas medidas

Temendo os efeitos das novas medidas econômicas do regime chavista, os venezuelanos lotaram os supermercados e postos de gasolina


postado em 17/08/2018 08:05 / atualizado em 17/08/2018 08:19

Supermercados desabastecidos após anúncios de medidas econômicas(foto: Cristian Hernandez/EFE/direitos reservados)
Supermercados desabastecidos após anúncios de medidas econômicas (foto: Cristian Hernandez/EFE/direitos reservados)
 
A entrada em vigor de uma série de medidas econômicas anunciadas pelo governo da Venezuela provocou uma corrida a mercados e postos de gasolina nesta quinta-feira (17/8), um sinal do temor da população de que as mudanças agravem a crise no país.

As agências bancárias fecharão amanhã (17) para dar início ao processo de conversão monetária que retirará cinco zeros do bolívar forte, que passa a se chamar bolívar soberano, e só voltam a funcionar na terça-feira (21), já que o governo decretou ponto facultativo na segunda.

Além da conversão, o presidente Nicolás Maduro anunciou que o governo deixará de subsidiar a gasolina no país, considerada a mais barata do mundo. Os venezuelanos que não se cadastrarem em um censo, muito criticado pela oposição, passarão a pagar valores que seguirão as cotações do petróleo no mercado internacional.

O professor Luis Fandiño, de 62 anos, foi um dos que resolveu enfrentar as grandes filas formadas nas portas das agências bancárias para tentar fazer compras antes da conversão monetária.
 
Supermercados desabastecidos após anúncios de medidas econômicas (foto: Cristian Hernandez/EFE/direitos reservados)
Supermercados desabastecidos após anúncios de medidas econômicas (foto: Cristian Hernandez/EFE/direitos reservados)
 
 
A corrida aos bancos se ampliou depois de algumas instituições financeiras terem anunciado que suspenderão até segunda-feira as transações eletrônicas por causa da conversão. Dessa forma, operações de crédito e débito não serão efetuadas normalmente.

"As pessoas fazem o possível para se adaptar às mudanças, mas não as entendem. É isso que gera esse nervosismo e as longas filas", afirmou o professor.

O dinheiro em espécie é um dos muitos itens em falta na Venezuela, um problema que o governo promete resolver com a entrada em vigor do bolívar forte a partir de segunda-feira.

Temendo os efeitos das novas medidas econômicas do regime chavista, os venezuelanos lotaram os supermercados logo de manhã para estocar alimentos antes da conversão monetária. Com os limites estourados devido à hiperinflação, muitos recorriam a cartões de crédito para pagar as compras.

Para a contadora Yanet Guerrero, de 60 anos, há também um efeito psicológico sobre os compatriotas. "As pessoas acham que com menos zeros terão menos dinheiro", explicou.

"Não confiamos nas explicações que deram sobre as medidas. Cada vez que um porta-voz tenta esclarecê-las só amplia a confusão", afirmou.

Já María del Vale, dona de casa, decidiu ir ao supermercado hoje para "fugir do caos" que ela prevê que irá ocorrer no fim de semana.

"Haverá um colapso nas compras com cartões", disse ela.

Longas filas também eram registradas nos postos de gasolina de Caracas, apesar de o aumento dos preços dos combustíveis anunciados por Maduro ainda não ter data para entrar em vigor.
 
Filas nos supermercados de Caracas(foto: Cristian Hernandez/EFE/direitos reservados)
Filas nos supermercados de Caracas (foto: Cristian Hernandez/EFE/direitos reservados)
 
 
O taxista José Maya disse à EFE que a situação se repete em várias regiões da capital. Segundo ele, os venezuelanos não sabem quanto pagarão se estiverem cadastrados no censo, batizado como "Carteira da Pátria", e de que forma o subsídio será concedido.

"Não vai funcionar, vai ser um caos total. Só ouvi dizer que todos pagarão o mesmo e serão reembolsados depois", disse Maya.

O economista Carlos Volpe, de 55 anos, outro que tentava abastecer antes das medidas entrarem em vigor, também critica as propostas do governo. Para ele, as iniciativas de Maduro provocarão o surgimento de um mercado negro de gasolina no país.

"Subir os preços em uma época em que o poder aquisitivo se perdeu é forçar as pessoas a não ter alternativa e deixar os veículos em casa", afirmou Volpe.

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