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Correio Braziliense

EUA e China, uma guerra comercial de 100 bilhões de dólares

Após entrar em vigor nos Estado Unidos tarifa de 25% sobre centenas de produtos chineses, o país asiático reagiu imediatamente aplicando a mesma taxa para exportações,vindas dos EUA.


postado em 23/08/2018 07:47 / atualizado em 23/08/2018 08:10

A China tarifou os automóveis, os veículos elétricos híbridos e os off-road, assim como o caviar, o uísque, suco de laranja e as motocicletas, incluindo a icônica Harley Davidson (foto: Johhanes Eisele/ AFP)
A China tarifou os automóveis, os veículos elétricos híbridos e os off-road, assim como o caviar, o uísque, suco de laranja e as motocicletas, incluindo a icônica Harley Davidson (foto: Johhanes Eisele/ AFP)
 
Washington, Estados Unidos - Em seu confronto comercial, as duas principais economias do mundo - Estados Unidos e China - adotaram tarifas alfandegárias sobre importações que já somam 100 bilhões de dólares. Nesta quinta-feira (23/8), entrou em vigor uma tarifa de 25% sobre 1.000 produtos chineses importados pelos Estados Unidos no valor de 16 bilhões de dólares, que se somarão a outros 34 bilhões já impostos desde julho, um total de 50 bilhões. 

A China reagiu imediatamente anunciando tarifas também de 25%, sobre o total de 16 bilhões de dólares em exportações dos EUA, que entraram em vigor um minuto após a aplicação das sobretaxas de Washington. 

Na mira 

A medida de Washington é dirigida principalmente contra os produtos chineses que se beneficiam das "práticas comerciais desleais", como as transferências forçadas de tecnologia, denunciada pela administração do presidente Donald Trump. Assim, computadores, componentes eletrônicos e ferramentas mecânicas se encontram entre os bens mais atingidos, com um total de 1,1 bilhão de dólares em importações de microprocessadores, e outras máquinas eletrônicas.

Outro alvo de Washington são os circuitos integrados, em um total de 700 milhões de dólares, assim como as células fotovoltaicas, que a cada ano importa por um valor de 500 milhões, e as memórias dos computadores (400 milhões). A lista negra dos Estados Unidos inclui máquinas para ordenhar vacas, incubadoras de frangos, registradores de voo, tubos para radiografias, escavadeiras e motocicletas.

Embora os cinco principais produtos das tarifas somem nove bilhões de dólares, existem artigos na lista com um peso muito menos importante. Helicópteros, tubos para micro-ondas, peças para reatores nucleares, telescópios e locomotivas também estão na mira, embora tenham sido poucas as trocas desses produtos nos últimos dois anos.
 

Bens intermediários 

Segundo os economistas do Peterson Institute for International Economics, 95% dos produtos afetados pelas tarifas impostas por Washington são produtos intermediários ou de bens de equipamento que afetam indiretamente a indústria americana que precisa deles. 

Até o momento, a China impunha tarifas às importações de 650 produtos americanos, principalmente produção agrícola, alimentos, petróleo, plástico e produtos químicos.

O produto mais sensível afetado pela decisão de Pequim é a soja dos Estados Unidos, essencial para o mercado de exportação para os seus agricultores. Mas também a carne bovina e suína, vários tipos de peixe e dezenas de frutas. 

Além disso, a China tarifou os automóveis, os veículos elétricos híbridos e os off-road, assim como o caviar, o uísque, suco de laranja e as motocicletas, incluindo a icônica Harley Davidson.

Mais por vir 

Os 50 bilhões de dólares de bens taxados que os países impõem são apenas o primeiro passo. Os serviços do representante de Comércio dos Estados Unidos trabalham em tarifas alfandegárias de 25% sobre as importações chinesas, no valor de 200 bilhões de dólares. 

Esses impostos poderiam entrar em vigor no próximo mês. E como a China prometeu mais represálias, o presidente Trump inclusive ameaçou taxar as importações chinesas em 500 bilhões de dólares.

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