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Correio Braziliense

A Bolsa pode entrar em colapso se Trump enfrentar um impeachment?

Entenda o que poderia acontecer caso o presidente dos EUA enfrente um impeachment


postado em 24/08/2018 19:20 / atualizado em 24/08/2018 19:33

No pior cenário para Trump, ele poderia enfrentar uma eventual destituição depois de um julgamento político e de votações decisivas de ambas as casas do Congresso(foto: AFP)
No pior cenário para Trump, ele poderia enfrentar uma eventual destituição depois de um julgamento político e de votações decisivas de ambas as casas do Congresso (foto: AFP)
 
Nova York, Estados Unidos - Diante de um cenário de instabilidade política, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu em uma entrevista televisiva transmitida na quinta-feira que as consequências econômicas de um possível julgamento político sobre ele seriam nefastas. Entenda o que poderia acontecer.

O que Trump disse?

Seus comentários surgiram depois da condenação nesta terça-feira do ex-chefe de campanha de Trump, Paul Manafort, e de uma declaração de culpabilidade de seu ex-advogado, Michael Cohen.

Esses dois acontecimentos aumentaram os rumores de um possível impeachment sobre Trump, especialmente se os democratas dominam as eleições em novembro.

"Vou te dizer uma coisa: se me submeterem a um julgamento político, acho que o mercado desabaria. Acho que todos ficariam muito pobres", disse Trump em uma entrevista à Fox.

Trump está certo?

Analistas se mostraram céticos, e asseguraram que suas declaração foram hiperbólicas. Mesmo assim, disseram que o mercado financeiro pode ser abalado caso Trump enfrente um processo de destituição.

O chefe de estratégias de investimento da CFRA, Sam Stovall, acredita que as ações podem cair entre 5 e 10% ou até mesmo 20%, mas "não acreditamos que isso leve a uma recessão". 

Trump merece crédito pelo mercado altista?

O S&P 500 se encontra a uma pequena distância de seu máximo histórico e registrou, com mais de 3.450 dias, sua maior fase "altista" de todos os tempos.

Apesar deste recorde incluir a maior parte da presidência de Barack Obama, Trump se atribuiu o mérito da fortaleza do mercado, após cortes de impostos e flexibilizações regulatórias.

O historiador de Wall Street, Charles Geisst, concorda que essas políticas beneficiaram o mercado, mas disse que o próprio Trump não é determinante para sua continuidade, porque elas contam com o apoio do Congreso.

"Em sua declaração, assume que ele é indispensável para os mercados. Na realidade, é somente uma casualidade", opina Geisst à AFP.

Quais são os riscos de impeachment?

No pior cenário para Trump, ele poderia enfrentar uma eventual destituição depois de um julgamento político e de votações decisivas de ambas as casas do Congresso. 

Neste caso, ele seria substituído por seu vice-presidente, Mike Pence, que provavelmente apoia políticas tributárias e regulatórias favoráveis ao mercado, além das políticas comerciais de Trump, que preocupam Wall Street.

O processo de impeachment por si só pode prejudicar a economia se tiver impacto na confiança das empresas e dos consumidores.

Quais foram as reações até o momento?

Até agora, Wall Street tem ignorado notícias referentes a Cohen e Manafort. Nesta sexta-feira, o S&P e o Nasdaq bateram novos recordes. 

Os especialistas consideram que as possibilidades de que Trump seja submetido a um julgamento político são de 45%, um novo recorde, disse o cofundador da DataTrek Research, Nicholas Colas, em uma nota na quinta-feira.

Quais foram as reações a outros cenários de impeachment? 

Os especialistas indicam dois precedentes para medir a reação do mercado diante de um possível julgamento político.

Em 1974, o presidente Richard Nixon enfrentava uma acusação após as revelações sobre o escândalo de Watergate.

O período se associa com uma desaceleração econômica após um aumento dos preços do petróleo.

O mercado financeiro estava sob pressão no final de 1998 quando o presidente Bill Clinton foi submetido a um processo de destituição pelo escândalo sexual de Monica Lewinsky.

Depois, as ações se recuperaram e chegaram ao seu máximo histórico em novembro de 1998, antes de Clinton ter sido absolvido no senado, em fevereiro de 1999. 

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