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Correio Braziliense

Papa Francisco chega à Irlanda e deve falar sobre abusos na Igreja

Investigações concluíram que milhares de crianças foram estupradas ou molestadas por padres e sofreram abusos físicos em escolas administradas por igrejas


postado em 25/08/2018 09:55 / atualizado em 25/08/2018 09:55

O papa Francisco chegou neste sábado (25/8) à Irlanda, marco zero da crise de abusos sexuais na Igreja Católica, num momento em que a instituição é atacada em várias partes do mundo por não ter protegido crianças ou punido bispos que esconderam os crimes. O pontífice deve se encontrar com vítimas de abuso durante sua visita de 36 horas, e terá "muitas oportunidades" para falar sobre o assunto, segundo o Vaticano. Esta é a primeira visita de um papa à Irlanda em quase 40 anos.

Mas nem as palavras do papa Francisco nem um encontro com vítimas deve acalmar a revolta de devotos católicos após novas revelações de conduta sexual inapropriada e acobertamento nos Estados Unidos, uma crise no Chile e acusações contra clérigos de alto escalão na Austrália e na França.

O papa foi recebido na pista do Aeroporto Internacional de Dublin por uma pequena delegação oficial composta principalmente por clérigos, mas não por uma multidão como seria de costume, especialmente em um país católico.

A Irlanda tem um dos piores históricos de abuso no mundo, crimes que foram revelados em uma série de inquéritos determinados pelo governo durante a última década. As investigações concluíram que milhares de crianças foram estupradas ou molestadas por padres e sofreram abusos físicos em escolas administradas por igrejas enquanto bispos acobertavam os crimes. Após os inquéritos, a igreja da Irlanda instituiu normas mais rigorosas para combater os abusos.

As vítimas de abuso devem realizar uma demonstração neste domingo em Dublin, ao mesmo tempo em que o papa celebra uma missa na cidade. Separadamente, sobreviventes das chamadas "casas de acolhimento de mães solteiras" também devem realizar uma demonstração. Mães solteiras e seus filhos eram enviados a esses centros administrados por freiras da igreja católica. A demonstração deve acontecer em Tuam, local onde foi encontrada uma cova coletiva com restos de centenas de crianças e bebês que morreram ao longo dos anos em um desses centros. O papa não tem planos de visitar o local.

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