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Correio Braziliense

Angela Merkel denuncia extrema direita por 'caça' aos migrantes

Segundo a chanceler alemã, intolerância não tem lugar no país


postado em 27/08/2018 11:27 / atualizado em 27/08/2018 11:41

Durante programa de televisão, Merkel afirmou que a perseguição da extrema direita aos migrantes não cabe em um Estado de Direito(foto: Tobias Schwarz/ AFP)
Durante programa de televisão, Merkel afirmou que a perseguição da extrema direita aos migrantes não cabe em um Estado de Direito (foto: Tobias Schwarz/ AFP)
 
Berlim, Alemanha - A chanceler alemã, Angela Merkel, denunciou nesta segunda-feira (27/8) a "caçada coletiva" de migrantes por parte de militantes de extrema direita na Alemanha, após a morte de um homem durante uma briga, episódio que intensificou o debate sobre a questão migratória.
 
Esses fatos "não cabem em um Estado de Direito", afirmou o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert, durante uma entrevista coletiva em Berlim. "É importante para o governo, para todos os representantes democráticos e - acho que - para a grande maioria da população dizer claramente que esses tumultos ilegais e caçadas coletivas contra pessoas de aparência, ou origem, estrangeira (...) não têm lugar no nosso país", afirmou Seibert.

O porta-voz de Merkel fazia referência aos incidentes de domingo, na localidade de Chemnitz, no leste da Alemanha, e que podem voltar a acontecer nesta segunda à noite. Ontem, quase mil pessoas participaram de uma manifestação ilegal da extrema direita após a morte de um alemão branco de 35 anos, durante uma briga, envolvendo cerca de dez pessoas nesta cidade.

"Fora, estrangeiros"

A Polícia informou que houve atos violentos durantes esses protestos, como o lançamento de garrafas contra a Polícia. Segundo várias testemunhas e vídeos publicados nas redes sociais, alguns manifestantes agrediram fisicamente e perseguiram migrantes durante a marcha. Também gritavam slogans como "fora, estrangeiros" e "nós somos o povo".

A Polícia informou ter recebido duas denúncias por golpes e ferimentos. A prefeita de Chenmitz, Barbara Ludwig, expôs sua "indignação" com os recentes episódios. "É grave que as pessoas possam se manifestar dessa forma (...) perseguindo e ameaçando outras pessoas pela cidade", disse ela à rede de televisão local MDR. "Aqueles que se concentraram sem autorização queriam provocar o caos e espalhar o medo entre a população", denunciou.

Segundo a Polícia, ainda são incertas as circunstâncias da briga na origem da polêmica, registrada no sábado à noite. A Polícia informou apenas que a vítima era de nacionalidade alemã e que, no confronto, estiveram envolvidas pessoas de "várias nacionalidades". Não mencionou se o autor do homicídio foi uma pessoa de origem estrangeira.

Outras duas pessoas, na faixa dos 30 anos, também ficaram feridas nesses incidentes. Dois jovens também foram detidos, mas não há informações sobre seu envolvimento na briga.

Contexto político tenso 
 
Pelo segundo dia consecutivo, a extrema direita voltará às ruas hoje à tarde, em Chemnitz. O movimento xenófobo e islamofóbico Pegida e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) convocaram a manifestação no mesmo lugar onde aconteceu a polêmica disputa.

O Pegida exigiu do governo alemão que "reforce a segurança" dos cidadãos e "mude" sua política. O movimento de extrema direita garante que a vítima, de 35 anos, foi esfaqueada, "enquanto tentava proteger sua mulher".

Este incidente acontece em um momento de grande tensão do debate migratório no país. Merkel é, com frequência, criticada por ter favorecido um aumento da criminalidade na Alemanha, após ter permitido a chegada de mais de um milhão de refugiados entre 2015 e 2016. As críticas surgem, sobretudo, da extrema direita, com grande adesão no leste do país.

Depois de ter-se tornado a terceira força do país no ano passado, com cerca de 90 deputados eleitos no Parlamento, a ultradireita da AfD marca a agenda política na Alemanha.

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