Publicidade

Correio Braziliense

Trump sugere mudança na lei de difamação após livro comprometedor

O livro de Woodward ganha especial relevo, em parte pelo papel central do autor em expor o escândalo que levou à renúncia do então presidente Richard Nixon, em 1974.


postado em 05/09/2018 11:18

O presidente denominou como
O presidente denominou como "vergonhoso", pois isso abriria margem escreveram histórias fantasiosas. (foto: MANDEL NGAN / AFP)
 
Washington, Estados Unidos - O presidente Donald Trump voltou a reagir, nesta quarta-feira (5/9), ao livro sobre sua presidência lançado pelo jornalista Bob Woodward, denominado Medo: Trump na Casa Branca, sugerindo que o Congresso deveria mudar as leis de difamação no país.

Diante do livro, o presidente norte-americano sugeriu mudanças na leis de difamação do país em sua contra no twitter. "Não é uma vergonha que alguém possa escrever um artigo, ou um livro, totalmente inventar histórias e formar uma imagem da pessoa que é literalmente o oposto do fato, e sair impune disso sem retaliação, ou custo?", tuitou Trump.

Na narrativa, Woodward relata uma Casa Branca que é uma "casa de loucos" (no original, o autor usa "crazytown") nas mãos de um presidente raivoso e desequilibrado, cujos assistentes tentam o tempo todo evitar que leve o país para uma guerra, entre outros desastres.

O jornal Washington Post, que obteve uma cópia da obra escrita, revelou o escândalo Watergate - que desencadeou a demissão do republicano Richard Nixon - publicou na véspera alguns trechos que não deixam o 45° presidente dos Estados Unidos em uma boa posição.

De acordo com o livro, por exemplo, após uma reunião entre Trump e a sua equipe de Segurança Nacional sobre a presença militar na península da Coreia, o secretário de Defesa, Jim Mattis, disse, exasperado, ao seu círculo próximo que o presidente se comportou como um "aluno de quinto ou sexto ano".

Segundo Woodward, depois do ataque químico de abril de 2017 atribuído ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad, Trump supostamente ligou para o general Mattis e disse que queria assassinar o chefe de Estado. "Vamos matá-lo. Vamos. Vamos matar um monte deles", disse Trump ao chefe do Pentágono, que ignorou totalmente a ideia.

O livro também fala da frustração constante do secretário-geral da Casa Branca, John Kelly, tradicionalmente o homem mais próximo ao presidente na "Ala Oeste". Ele teria dito a assessores sobre Trump: "É um idiota. É inútil tentar convencê-lo de qualquer coisa. Nem sei o que eu estou fazendo aqui. Este é o pior trabalho que já tive". 

Em uma breve reação, Kelly assegurou que jamais chamou o presidente de idiota e reafirmou o seu compromisso com ele. Os trechos divulgados pelo Washington Post revelam um presidente irascível que ataca os seus colaboradores com uma violência pouco comum.

O procurador-geral, Jeff Sessions, que tem sido alvo recorrente do desprezo presidencial, recebe um tratamento impiedoso. "É um cara mentalmente atrasado. É um imbecil", teria afirmado Trump a Rob Porter, um de seus assessores.

Trump já havia atacado o livro, que será lançado em 11 de setembro, chamando-de "um golpe no público", além de sugerir que seu objetivo é afetar as cruciais eleições de meio de mandato que acontecem em novembro.

Embora não seja o primeiro relato pouco lisonjeiro da turbulenta presidência Trump, o livro de Woodward ganha especial relevo, em parte pelo papel central do autor em expor o escândalo que levou à renúncia do então presidente Richard Nixon, em 1974.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade