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Correio Braziliense

Turquia enfrenta desaceleração do crescimento econômico

Desde janeiro, a lira turca desvalorizou-se cerca de 40% em relação ao dólar norte-americano


postado em 10/09/2018 20:33 / atualizado em 10/09/2018 20:34

(foto: Amir Makar / AFP)
(foto: Amir Makar / AFP)
O Produto Interno Bruto (PIB) da Turquia avançou 0,9% no segundo trimestre deste ano (abril a junho) em comparação ao primeiro trimestre (janeiro a março), de acordo com dados divulgados nesta segunda (10/9), pelas autoridades monetárias turcas. O resultado representa uma desaceleração econômica do país, que cresceu 7,4% em 2017. Desde janeiro, a lira turca desvalorizou-se cerca de 40% em relação ao dólar norte-americano.

Segundo Lyvio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-IBRE), a queda do crescimento no segundo trimestre relaciona-se à conjuntura europeia. "Os dados divulgados hoje referem-se ao passado. A desaceleração, naquela época, estava relacionada à moderação do crescimento europeu, zona importante na qual a Turquia está diretamente ligada. No entanto, o pior ainda está por vir, com o choque de agosto da lira turca frente à moeda americana, que será facilmente perceptível nos terceiro e quarto trimestres", previu. 

Na próxima quinta-feira (13/9), o Banco Central Turco deve discutir um possível novo aumento de juros com o objetivo de conter a inflação do país e valorizar a lira turca frente ao câmbio internacional. Desde junho deste ano, a autoridade monetária mantém a taxa básica de juros estagnada em 17,750%. 

De acordo com Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, a manutenção dos juros no país consiste em falha econômica."É um problema, sem dúvida. Desde que começou aquela convulsão econômica no país, o governo turco nada fez. Isso resulta em inflação elevada, moeda desvalorizada e, provavelmente, fuga de capitais. Para completar, o Tayyip Erdogan (presidente turco) ainda colocou o genro (Berat Albayrak) como ministro das Finanças. Ou seja, é uma sequência de eventos que mina qualquer confiança do investidor depositada no país", explicou.

* Estagiário sob a supervisão de Roberto Fonseca

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