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Correio Braziliense

Com De Niro e Joe Biden já são 10 pacotes suspeitos enviados nos EUA

Nos últimos dias, uma série de pacotes suspeitos foram enviados a oponentes do presidente Donald Trump, que atacou a mídia por provocar 'raiva' na população americana


postado em 26/10/2018 07:34

(foto: AFP)
(foto: AFP)
 
Nova York, Estados Unidos - O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden e o astro de Hollywood Robert De Niro foram os alvos mais recentes de uma série de pacotes suspeitos enviados a oponentes do presidente Donald Trump, que atacou a mídia por provocar "raiva" na população americana.

Os inimigos políticos do presidente republicano o acusaram de incitar a violência depois que bombas artesanais foram enviadas a Barack Obama, Hillary Clinton, CNN e outras figuras democratas detestadas por simpatizantes de Trump.

Com as eleições legislativas que acontecerão em menos de duas semanas, o presidente reagiu primeiro pedindo a união, mas depois voltou a atacar a mídia.

Trump acusou nesta quinta-feira os meios de comunicação de serem responsáveis pela "raiva" da sociedade. "Muita da raiva que vemos hoje em nossa sociedade é causada pelo relato intencionalmente falso e impreciso da mídia tradicional, ao qual me refiro como Fake News", postou no Twitter.

"Tornou-se tão ruim e odioso que está além da descrição", acrescentou. "A mídia tradicional deve colocar seus assuntos em ordem, RAPIDAMENTE!", acrescentou.

Ameaças em série

Na manhã dessa quinta-feira (25/10), um pacote suspeito similar aos enviados a várias figuras democratas foi encontrado no escritório em Nova York da produtora co-fundada por Robert De Niro, um dos atores americanos mais conhecidos e crítico do presidente republicano. A polícia informou que enviou ao local uma brigada especial.

Na noite desta quinta-feira, a polícia de Nova York mobilizou um esquadrão antibombas para investigar dois pacotes abandonados no Time Warner Center, onde ficam os escritórios da CNN em Nova York, evacuado na véspera por uma bomba caseira encontrada na sala de correspondências. A polícia emitiu posteriormente uma mensagem de que não havia risco e o local foi liberado.

Em Miami, também na noite desta quinta, a polícia enviou um esquadrão antibombas para um prédio do Serviço Postal para cooperar com os agentes federais "como parte da investigação em curso sobre pacotes suspeitos" encontrados em outros locais. 

Um dispositivo suspeito dirigido ao ex-vice-presidente Joe Biden foi encontrado nesta quinta em um posto dos correios em Delaware. A NBC News informou que o pacote é semelhante aos outros nove enviados. Biden, vice-presidente durante os dois mandatos de Barack Obama, é regularmente citado entre os potenciais candidatos à eleição presidencial de 2020.
 
(foto: AFP)
(foto: AFP)


Na quarta-feira, pacotes com explosivos foram enviados a vários proeminentes e à emissora CNN - alvo do ódio de apoiadores do presidente Trump. A ex-secretária de Estado e adversária de Trump na corrida pela Casa Branca em 2016, Hillary Clinton, foi uma das destinatárias dos pacotes.

A CNN é conhecida pela cobertura abrangente da administração Trump e por constantemente provocar a ira do presidente. A CNN precisou evacuar sua sede em Nova York, nesta quarta-feira, depois que um suposto explosivo foi encontrado na sala de correspondência, juntamente com um envelope contendo um pó branco.
 
Um esquadrão antibombas neutralizou o dispositivo e o enviou para análise, informou a Polícia. O pacote à CNN destinava-se ao ex-diretor da CIA, John Brennan, que apareceu na emissora como um convidado e talvez seja o crítico mais ferrenho de Trump na comunidade de segurança nacional.

A onda de alertas de bomba começou na segunda-feira, depois que um dispositivo foi encontrado na residência em Nova York do bilionário e filantropo liberal George Soros, financiador do Partido Democrata. "Até o momento os dispositivos são o que parecem bombas caseiras montadas em tubos", disse o agente do FBI  Bryan Paarmann.

Pelo menos seis pacotes suspeitos foram enviados em Nova York, Washington e Flórida, inclusive para renomados afro-americanos democratas: o ex-procurador-geral do governo Obama, Eric Holder, e a legisladora pela Califórnia Maxine Waters.

Foram enviados em envelopes pardos forrados com plástico-bolha, com os endereços em etiquetas impressas por computador. Cada um deles tinha como destinatária Debbie Wasserman Schultz, ex-presidente do Comitê Nacional Democrata. O presidente Trump afirmou na quarta-feira à noite que "qualquer ato ou ameaça de violência política é um ataque contra a própria democracia".

No Twitter, a hashtag #MAGABomber virou 'trending topic' nos Estados Unidos, à medida que os usuários inundaram a rede social com acusações de que Trump incitou as tentativas de ataque e destacando as declarações tóxicas que ele fez no passado contra os alvos dos pacotes. Críticos liberais e de orientação esquerdista denunciaram sua Presidência, marcada pelo slogan, "Make America Great Again" (Fazer a América grande de novo), de encorajar extremistas de direita.

O Serviço Secreto informou que os pacotes foram "identificados imediatamente durante procedimentos de rotina de varredura de correspondência" e que nem Hillary, nem Obama correram o risco de recebê-los. Ninguém assumiu a responsabilidade pelos envios e até o momento ninguém foi detido.

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