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Correio Braziliense

China e Japão aproximam suas relações assinando contratos bilionários

As duas potências asiáticas chegaram a um acordo para "ter um rol construtivo em benefício da paz e da prosperidade na região"


postado em 26/10/2018 15:17

O Japão quer aumentar sua presença no grande mercado chinês, enquanto a China tem interesse na tecnologia nipônica(foto: AFP)
O Japão quer aumentar sua presença no grande mercado chinês, enquanto a China tem interesse na tecnologia nipônica (foto: AFP)
 
Pequim, China - após assinarem contratos bilionários durante a visita do primeiro-ministro japonês em Pequim, seis anos depois de uma grave crise naval entre as duas potências asiáticas.

"As relações sino-japonesas estão sendo endereçadas", celebrou o presidente chinês, Xi Jinping, após se reunir com Shinzo Abe na primeira visita de um chefe de governo japonês à China desde 2011. 

Os dois dirigentes chegaram ao poder no fim de 2012, em plena disputa entre Pequim e Tóquio pelo controle de ilhas estratégicas no Mar da China Oriental. Até agora, Abe e Xi só tinham se encontrado durante cúpulas internacionais.

Em Pequim, Abe quis demostrar que o confronto diplomático entre Japão e China era coisa do passado, em um momento no qual a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos faz seus interesses convergirem.

As duas potências asiáticas chegaram a um acordo para "ter um rol construtivo em benefício da paz e da prosperidade na região", afirmou Abe após se reunir com seu homólogo chinês Li Keqiang.

Depois de presidir a assinatura de uma série de contratos avaliados em 2,612 bilhões de dólares, o primeiro-ministro japonês acredita que o comércio "permitirá estreitar os vínculos entre o povo japonês e o chinês".

"A situação internacional é instável e a incerteza não para de crescer", destacou Shinzo Abe, que considerou que a cooperação econômica entre ambos os países favorecia "o desenvolvimento do livre-comércio a nível mundial".

 

'Margem de manobra'

As relações foram reforçadas recentemente, depois que o presidente americano, Donald Trump, adotou tarifas de importação contra a China e atacou as exportações japonesas, com o objetivo alegado de reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos. 

"A incerteza causada pela política de Trump fez Abe não pode apostar unicamente" em seu aliado americano, analisa Hu Lingyuan, diretor do Centro de Estudos Japoneses da Universidade Fudan, em Xangai. 

"Se melhorar suas relações com a China, terá maior margem de manobra nas negociações com os Estados Unidos", diz o analista. 

Abe viajou com uma delegação de mil representantes de empresas japonesas que assinaram cerca de 500 contratos.

O Japão quer aumentar sua presença no grande mercado chinês, enquanto a China tem interesse na tecnologia nipônica. 

A visita de Abe faz parte de um longo processo de reconciliação, seis anos depois de Tóquio ter decidido "nacionalizar" ilhas disputadas por Pequim, o que provocou manifestações antijaponesas na China. O degelo começou de maneira tímida em 2014. 

Os dois países aprovaram nesta sexta um mecanismo para evitar qualquer disputa acidental no Mar da China Oriental, exatamente no arquipélago Senkaku, cujo nome em chinês é Diaoyu. 

"Sem estabilidade no Mar da China Oriental, não pode haver nenhuma melhoria real em nossas relações", disse Abe a Li Keqian, segundo informou o porta-voz do Executivo japonês. 

Abe e Li comemoraram nesta quinta-feira o 40º aniversário do Tratado de Paz e Amizade assinado em 1978 pelas autoridades chinesas e japonesas. O primeiro-ministro japonês concluirá sua visita a Pequim na manhã de sábado.

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