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Correio Braziliense

Pittsburgh realiza primeiro funeral de vítimas da sinagoga e espera Trump

As primeiras vítimas do ataque antissemita mais letal da história dos Estados Unidos serão enterradas nesta terça-feira em Pittsburgh


postado em 30/10/2018 15:28

A visita de Trump a Pittsburgh não é a única fonte de controvérsia sobre a resposta do governo ao massacre na sinagoga(foto: AFP)
A visita de Trump a Pittsburgh não é a única fonte de controvérsia sobre a resposta do governo ao massacre na sinagoga (foto: AFP)
 
Pittsburgh, Estados Unidos - As primeiras vítimas do ataque antissemita mais letal da história dos Estados Unidos serão enterradas nesta terça-feira em Pittsburgh, enquanto a cidade espera a visita do presidente Donald Trump e de sua esposa Melania.

Cecil e David Rosenthal, irmãos de 59 e 54 anos que estavam entre as 11 pessoas mortas na sinagoga da Árvore da Vida no sábado, serão enterrados após uma cerimônia fúnebre.

A visita de Trump a Pittsburgh tem gerado polêmica em meio ao debate sobre se sua retórica violenta nos comícios de campanha e no Twitter tem sido parcialmente responsável por polarizar o clima político antes das eleições de 6 de novembro.

"É revoltante que ocorra um crime de ódio aqui e que o líder do nosso país não denuncie o antissemitismo, não denuncie o nacionalismo branco, não denuncie o neonazismo. E esse é o problema", disse à AFP Joanna Izenson, a caminho do funeral dos Rosenthal. 

"Sempre vai existir antissemitismo, sempre existiu, mas nunca tivemos um presidente que não lutasse contra ele, verbalmente e em todos os sentidos. E ele precisa desses partidários", acrescentou, aludindo à base de apoio de Trump.

Muitas pessoas compareceram ao funeral dos Rosenthal. "Eles não tinham maldade", declarou o policial Donald Pasquarelli, que fazia a segurança para eventos da sinagoga.

"Provedor de discursos de ódio"

O massacre cometido por Robert Bowers, de 46 anos, ocorreu na mesma semana em que um homem da Flórida, Cesar Sayoc, um fervoroso apoiante de Trump, foi preso por suspeita de enviar mais de uma dúzia de bombas caseiras a adversários e críticos do presidente. 

Os dois incidentes levaram a acusações de que Trump encoraja a violência em seus tuítes e discursos quase diários, questionando duramente os imigrantes, opositores e jornalistas.

Nas redes sociais atribuídas a Bowers, é nítida sua raiva aos milhares de centro-americanos que se deslocam atualmente em direção aos Estados Unidos em busca de uma vida melhor, um dos alvos da retórica antimigratória do presidente.

Segundo relatos, Bowers, que vai comparecer diante um tribunal na quinta-feira, odiava os judeus porque eles infligiam um genocídio "ao seu povo" e também expressou a rejeição pelos muçulmanos.

Jeffrey Myers, rabino da Árvore da Vida presente durante o ataque, disse à CNN que "o presidente dos Estados Unidos é sempre bem-vindo". 

Mas a ex-titular da sinagoga, Lynette Lederman, disse ao presidente na segunda-feira que se mantivesse longe, descrevendo-o como um "provedor de discursos de ódio".

Um grupo de líderes judeus em Pittsburgh publicou uma carta aberta culpando Trump de incentivar sentimentos nacionalistas que levaram ao ataque. O texto também aponta que, enquanto ele atacar "os imigrantes e refugiados", não será bem-vindo na cidade.

O "rabino cristão"

Mas Trump reagiu argumentando que são os jornalistas críticos quem, na verdade, alimentam o extremismo.

"Existe uma grande ira em nosso país causada, em parte, pela informação inexata, inclusive fraudulenta, relatada nas notícias", tuitou Trump, chamando "os meios de comunicação de 'fake news', os verdadeiros inimigos do povo" a "parar a aberta e óbvia hostilidade".

"Isso fará muito para apagar a chama da ira e indignação em nosso país e para que possamos ser capazes de unir todas as partes em paz e harmonia. As 'fake news' têm que acabar!", acrescentou.

A visita de Trump a Pittsburgh não é a única fonte de controvérsia sobre a resposta do governo ao massacre na sinagoga.

Na segunda-feira, o vice-presidente Mike Pence participou de um comício eleitoral em Michigan em que Loren Jacobs, que usa o título de "rabino", mas defende o cristianismo, foi convidado a falar em nome da comunidade judaica da região.

Em vez de iniciar seu discurso com uma oração pelas 11 vítimas do tiroteio da Árvore da Vida, Jacobs elogiou Jesus Cristo e depois ofereceu orações pelos quatro candidatos republicanos.

No final do ato, Pence, um cristão devoto e herói os evangélicos, convidou Jacob a fazer uma oração para as vítimas como "líder da comunidade judaica em Michigan". Jacobs honrou os mortos com uma oração a Jesus Cristo, sem nomear nenhum deles.

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