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Correio Braziliense

Palestinos condenam transferência da embaixada de Brasil para Jerusalém

'É uma medida de provocação, que é ilegal em virtude do direito internacional e que apenas desestabiliza a região', afirmou o membro do comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina


postado em 02/11/2018 13:31

Ramallah, Territórios palestinos -Os palestinos chamaram nesta sexta-feira de "provocação" a decisão do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, de transferir de Tel Aviv para Jerusalém a embaixada do país em Israel.

"É uma medida de provocação, que é ilegal em virtude do direito internacional e que apenas desestabiliza a região", afirmou à AFP Hanan Ashraui, membro do comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

A questão da implementação das embaixadas em Israel é particularmente sensível.

O Estado judeu considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital, enquanto os palestinos aspiram tornar Jerusalém Oriental a capital do seu futuro Estado.

Israel ocupa Jerusalém Oriental desde a guerra de 1967 e posteriormente a anexou, ato nunca reconhecido pela comunidade internacional.

Neste contexto, para a comunidade internacional, o status da Cidade Sagrada deve ser negociado por ambas as partes e as embaixadas não devem se estabelecer lá até que um acordo seja alcançado.

Mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompeu, em dezembro de 2017, com décadas de diplomacia americana reconhecendo Jerusalém como a capital de Israel.

Após essa decisão, o presidente palestino, Mahmud Abbas, cortou os laços com o governo Trump.

A embaixada dos Estados Unidos foi transferida de Tel Aviv para Jerusalém em 14 de maio, antes de a Guatemala e o Paraguai anunciarem planos para seguir Washington.

Posteriormente, Assunção recuou e anunciou o retorno de sua embaixada para Tel Aviv.

"É realmente uma pena que o Brasil tenha aderido a essa aliança negativa contra o direito internacional", lamentou Achraui.

A decisão brasileira também foi condenada pelo movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza e que travou três guerras contra Israel desde 2008.

"Nós consideramos que se trata de uma medida hostil em direção ao povo palestino e ao mundo árabe e muçulmano", reagiu o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zahri, nesta sexta-feira no Twitter.

O presidente eleito Bolsonaro escreveu na quinta-feira no Twitter: "Como afirmado durante a campanha, pretendemos transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Israel é um Estado soberano e nós o respeitamos".

Pouco antes, em uma coletiva de imprensa em sua residência no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse: "Temos respeito com o povo de Israel, o povo árabe. Não queremos criar problemas com ninguém. Queremos fazer comércio com o mundo todo, buscar vias pacíficas pra resolver problemas. Não queremos criar poeira para resolver problemas".

No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiou uma decisão "histórica" %u200B%u200Bdo presidente eleito do Brasil.

Especialistas afirmam que a concretização dessa promessa poderá provocar represálias comerciais de países árabes, que são mercados importantes para as carnes brasileiras.

Perguntado sobre o tema em uma entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal israelense Israel Hayom, Bolsonaro respondeu: "Quando me perguntavam, durante a campanha, se faria isso quando fosse presidente, eu respondia 'Sim, são vocês que decidem qual é a capital de Israel, não as outras nações'".

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