Publicidade

Correio Braziliense

CIA concluiu que príncipe saudita ordenou morte de jornalista, diz 'Post'

Uma equipe de 15 agentes sauditas viajou até Istambul em um avião do governo em outubro e mataram Khashoggi dentro do consulado saudita


postado em 17/11/2018 00:29 / atualizado em 17/11/2018 01:01

(foto: Al-Shaikh/AFP)
(foto: Al-Shaikh/AFP)
 

 

A CIA (agência de Inteligência americana) concluiu que o príncipe saudita, Mohammed bin Salman, ordenou o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em Istambul, afirmou nesta sexta-feira (16/11) o jornal americano Washington Post. A informação contradiz as declarações do governo saudita de que o príncipe herdeiro do trono não estava envolvido no caso.

Segundo o Post, na avaliação elaborada pela agência, fontes do governo americano manifestaram grande confiança na participação de Salman. O documento seria o mais definitivo até agora a ligar o homem forte de Riad ao assassinato e complica os esforços do presidente Donald Trump em preservar os laços entre os EUA e seu aliado mais próximo na região.

Uma equipe de 15 agentes sauditas viajou até Istambul em um avião do governo em outubro e mataram Khashoggi dentro do consulado saudita, onde ele tinha ído para providenciar documentos necessários para se casar com uma mulher turca.

Para chegar a essa conclusão, a CIA consultou múltiplas fontes de inteligência, incluindo um telefonema que o irmão do príncipe herdeiro, Khalid bin Salman, o embaixador saudita nos EUA, deu para Khashoggi, de acordo com fontes com conhecimento nessa questão, que falaram sob condição de anonimato.

Khalid disse a Khashoggi, um colaborador do Washington Post que vivia nos EUA, que ele deveria ir até o consulado saudita em Istambul para retirar os documentos e deu garantiras de que era seguro para ele fazer isso.

Não estava claro se Khalid sabia que Khashoggi seria morto, mas ele deu o telefonema sob a orientação do irmão, de acordo com a fonte do jornal, e ela foi interceptada pela inteligência americana.

A porta-voz para a Embaixada da Arábia Saudita em Washington, Fatimah Baeshen, disse que o embaixador e Khashoggi nunca discutiram "nada relacionado a ir para a Turquia". Ela acrescentou que as alegações da CIA são falsas. "Já ouvimos e continuamos a ouvir várias teorias sem ver as bases primárias para essas especulações."

O procurador saudita apresentou acusações contra 11 que teriam participado do assassinato e disse que pediu a pena de morte contra 5 deles.

O assassinato de Khashoggi, um proeminente críticmo das políticas de Salman, desencadeou uma crise política internacional para a Casa Branca e fez surgir questionamentos sobre a aliança entre a administração Trump e a Arábia Saudia, um aliado-chave no Oriente Médio e na frente anti-Irã.


A Associated Press e outra agências confirmaram as informações do Post.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade