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Correio Braziliense

Apesar de protestos, Macron não voltará atrás sobre preço dos combustíveis

De acordo com a proposta os impostos sobre os combustíveis serão adaptados em função das flutuações do preço do barril do petróleo, para proteger o bolso dos mais pobres


postado em 27/11/2018 12:51

(foto: Ian LANGSDON / POOL / AFP)
(foto: Ian LANGSDON / POOL / AFP)
 
Paris, França - O presidente francês, Emmanuel Macron, disse nesta terça-feira (27/11) que ouve a reivindicação dos coletes amarelos que protestam contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis, mas garantiu que não renunciará à medida "diante do ambiental". 

"Devemos escutar os protestos de alarme social, mas não devemos fazer isso renunciando a nossas responsabilidades para hoje e amanhã, porque existe também um alarme ambiental", disse o presidente francês em um discurso no Palácio do Eliseu retransmitido ao vivo pela televisão. "Aprendi nos últimos dias que não devemos abandonar o rumo quando ele está correto", acrescentou o presidente.

No entanto, tentando alertar os manifestantes, anunciou que os impostos sobre os combustíveis serão adaptados em função das flutuações do preço do barril do petróleo, para proteger o bolso dos mais pobres. "Me nego a que a transição ecológica acentue as desigualdades entre territórios e dificulte ainda mais a vida de nossos concidadãos que vivem nas zonas rurais ou nas periferias das cidades", disse o chefe de Estado em um discurso de quase uma hora no qual abordou temas vinculados a energia e transporte.

Segundo a presidência, em caso de aumento dos preços do petróleo nos mercados mundiais, o aumento fiscal previsto seria parcialmente ou totalmente colocado entre parêntese. O governo é que tomará a decisão, informou o gabinete do primeiro-ministro.


Governo receberá os "coletes amarelos" 

O movimento dos chamados "coletes amarelos" nasceu há algumas semanas na França contra um aumento dos impostos sobre os combustíveis, mas se tornou um protesto geral contra a perda do poder aquisitivo e os impostos considerados excessivos.

Uma primeira mobilização nacional reuniu há dez dias cerca de 300.000 pessoas em todo o país e cerca de 100.000 no sábado passado, entre eles 8.000 em Paris, onde aconteceram violentos confrontos entre os manifestantes e a polícia na famosa avenida dos Champs Elysées. "Este movimento deu lugar a manifestações importantes, mas também a violências inaceitáveis", disse Macron, que diferenciu os "encrenqueiros" dos "cidadãos que querem transmitir uma mensagem".

Neste sentido, ele pediu ao ministro da Transição Ecológica, François de Rugy, que receba os membros dos "coletes amarelos" na tarde desta terça-feira no Eliseu.

Ele anunuciou também uma "grande consulta" sobre "a transição ecológica e social" para responder aos manifestantes que protestam vestidos com coletes amarelos fluorescentes. Esta consulta será feita em todo o país com associações, políticos e representantes do movimento.


O espinhoso tema nuclear 

Sobre o tema nuclear, Macron anunciou o fechamento de 14 dos 58 reatores nucleares franceses em funcionamento até 2035, incluindo entre quatro e seis antes do final de 2030, menos do que esperavam os ecologistas.

O número total inclui o fechamento anunciado previamente dos dois reatores mais antigos da França na central de Fessenheim, no leste do país, que Macron anunciou que estava agora previsto para o verão de 2020.

Anunciou também que a França fechará antes do final de 2022 as quatro centrais de carvão que restam em meio aos esforços para lutar contra a poluição. Mas o presidente ressaltou em seu discurso que "reduzir o papel da energia nuclear não significa renunciar a ela".

A França depende da energia nuclear para quase 72% de sua eletricidade, e o governo quer reduzir esta dependência a 50% antes de 2030 ou 2035, desenvolvendo as energias renováveis para cumprir com seus compromissos internacionais em matéria ambiental.

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