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Correio Braziliense

Avião que caiu na Indonésia não deveria ter sido autorizado a voar

O Boeing 737 Max 8 da companhia Lion Air, que seguia para Pangkal Pinang, caiu em 29 de outubro no mar de Java, 10 minutos depois de decolar de Jacarta


postado em 28/11/2018 11:36

(foto: Suzane de Oliveira, Bagus Saragih / AFPTV / AFP)
(foto: Suzane de Oliveira, Bagus Saragih / AFPTV / AFP)
 
Jacarta, Indonésia - O avião da Lion Air que caiu na Indonésia no fim de outubro, uma tragédia que matou 189 pessoas, não deveria ter sido autorizado a voar porque sofreu um problema técnico em um voo anterior, afirmou nesta quarta-feira (28/11) a Agência de Segurança nos Transportes.

Um Boeing 737 Max 8 da companhia de baixo custo, que seguia para Pangkal Pinang, caiu em 29 de outubro no mar de Java, 10 minutos depois de decolar de Jacarta: as 189 pessoas a bordo morreram no acidente.

Até o momento foram identificadas 125 vítimas. "Durante o voo de Denpasar a Jacarta, anterior à viagem fatal, a aeronave sofreu um problema técnico, mas o piloto decidiu continuar o voo", declarou Nurcahyo Utomo, diretor da agência. "Na nossa opinião, o avião não estava em condições de voar e não deveria ter continuado", disse Utomo.

No relatório da investigação preliminar, a agência indonésia destaca que a companhia aérea deveria reforçar as medidas de segurança.  O documento não revela as causas, mas apresenta uma ideia da investigação, além de apresentar recomendações. O relatório final será apresentado em 2019.

Durante o último voo, os pilotos perguntaram aos controladores quais eram a velocidade e altura da aeronave. Eles citaram "problemas com os controles de voo", segundo o relatório. 

O avião havia registrado problemas similares aparentemente vinculados a medidas equivocadas dos sensores durante um voo precedente. Mas os pilotos passaram para o sistema manual para recuperar o controle da aeronave.  Os investigadores não explicaram por quê os pilotos do último voo JT610 não conseguiram fazer o mesmo.

A Lion Air deve adotar medidas "para melhorar sua cultura de segurança" e garantir que todos os todos os documentos operacionais, que detalham os reparos nos aviões, "estejam preenchidos e documentados de modo adequado", afirma o relatório.

O Boeing 737 Max 8 operado pela Lion Air registrou problemas recorrentes vinculados ao sistema antibloqueio, segundo os primeiro elementos da investigação.  Os problemas foram reparados e os diretores técnicos da companhia autorizaram a retomada dos voos.

O informe publicado nesta quarta-feira confirma que os pilotos do voo Denpasar-Jacarta e os do último voo enfrentaram dificuldades vinculadas ao sistema automático utilizados por estes sensores.

Os investigadores mencionaram um problema vinculado às sondas de ângulo (AOA, Angle of Attack sensor). A Boeing adotou um novo sistema antibloqueio nos modelos mais recentes do 737 Max.

Mas um funcionamento equivocado das AOA pode provocar um acidente e obriga os pilotos a voltar a assumir o controle do avião.

O relatório preliminar confirma que os pilotos dos dois voos tiveram dificuldades ligadas a este sistema automático antibloqueio, mas não indica as causas definitivas do acidente.

Também informa que o "stick shaker", ativado quando há risco de queda, estava "ativado durante quase todo o voo". 

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