Publicidade

Correio Braziliense

Europa tenta acalmar Ucrânia, que pede à OTAN ajuda contra a Rússia

Este é o primeiro confronto militar aberto entre Moscou e Kiev desde a anexação e desde o início de um conflito armado no leste da Ucrânia com separatistas pró-russos, que deixou mais de 10 mil mortos


postado em 29/11/2018 13:46

 
Moscou, Rússia - Os países europeus, incluindo a Alemanha, tentaram nesta quinta-feira (29/11) acalmar a Ucrânia depois que seu presidente, Petro Poroshenko, pediu à Otan para enviar navios para enfrentar a Rússia no Mar de Azov.

Durante um fórum econômico alemão-ucraniano, a chanceler alemã Angela Merkel pediu que Kiev "se mantenha prudente" e assegurou que só é possível "resolver as coisas mantendo a razão, discutindo uns com os outros".

Horas antes, Petro Poroshenko pediu à OTAN uma responda firme ao que considera uma agressão da Rússia, que assumiu no domingo o controle de três navios da Marinha ucraniana no Mar Negro, perto da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Este é o primeiro confronto militar aberto entre Moscou e Kiev desde a anexação e desde o início de um conflito armado no leste da Ucrânia com separatistas pró-russos, que deixou mais de 10 mil mortos.

Poroshenko pediu aos países da Otan que enviassem navios ao Mar de Azov para apoiar Kiev frente a Moscou. "A Alemanha é um dos nossos aliados mais próximos e esperamos que os países da Otan estejam dispostos a enviar navios para o Mar de Azov para ajudar a Ucrânia e garantir a segurança" na região, declarou ao jornal alemão Bild.

Sem solução militar

Um pedido que ficou sem resposta. "Não pode haver solução militar nesse tipo de confrontação", insistiu a chanceler alemã, que prometeu abordar a questão com Vladimir Putin durante a cúpula do G20 em Buenos Aires. 

A prudência de Merkel coincide com as de outros líderes europeus. Apesar da União Europeia ter expressado sua consternação "pelo uso da força por parte da Rússia", os 28 não consideram novas medidas para sancionar a Rússia.

Mas entre os Estados europeus há divergências, segundo explicaram à AFP fontes diplomáticas. A adoção de novas sanções só pode acontecer por unanimidade. A Polônia apoia a ideia, mas países como França e Alemanha consideram ser prematuro, de acordo com uma dessas fontes.

Em um comunicado publicado pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, os 28 Estados membros pediram "a garantia de uma passagem livre e sem obstáculos no Estreito de Kerch em direção e a partir do Mar de Azov, conforme o direito internacional".

"Nesse contexto, pedimos de maneira firme que a Rússia liberte sem condições e sem atraso os navios capturados, sua tripulação e equipamento", acrescentaram.

 
Bloqueio

 
Os 24 marinheiros ucranianos capturados pela Rússia, incluindo três feridos, vão permanecer detidos até 25 de janeiro, o que Kiev denuncia como uma decisão "bárbara e ilegal". Neste contexto de tensão, a Ucrânia introduziu a lei marcial na quarta-feira por 30 dias em dez regiões fronteiriças e costeiras.

Vladimir Putin defendeu, por sua vez, a Guarda Costeira russa e insistiu que ela "cumpriu seu dever com precisão". Ele descreveu o confronto como "provocação" e acusou Petro Poroshenko de planejar o embate para fins eleitorais, poucos meses antes da eleição presidencial.

O Kremlin também negou o fechamento do Estreito de Kerch, conforme alegado pela Ucrânia. "Não tenho conhecimento de qualquer restrição neste momento, pelo contrário, o estreito está aberto e funcionando normalmente", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a repórteres.

De acordo com o ministro ucraniano das Infraestruturas, Volodymyr Omelian, 18 navios ucranianos estão à espera de permissão para passar do Mar Negro ao Mar de Azov, ponto-chave para as exportações de cereais e aço produzidos no leste da Ucrânia.

Outros nove navios esperam passar na direção oposta, acrescentou. "Os portos ucranianos do Mar de Azov (...) estão bloqueados pela Federação Russa", disse ele no Facebook.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade