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Correio Braziliense

Trump cancela reunião com Putin pouco antes de começo do G20

Donald Trump reavivou a tensão nesta quinta-feira (29) ao cancelar, de última hora, o seu encontro com seu homólogo russo, Vladimir Putin


postado em 29/11/2018 16:42

Os presidentes americano e russo se reuniram quatro vezes desde que Trump chegou à Casa Branca, mas apenas uma vez durante uma cúpula(foto: AFP)
Os presidentes americano e russo se reuniram quatro vezes desde que Trump chegou à Casa Branca, mas apenas uma vez durante uma cúpula (foto: AFP)
 
Buenos Aires, Argentina - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reavivou a tensão nesta quinta-feira (29) ao cancelar, de última hora, o seu encontro com seu homólogo russo, Vladimir Putin, horas antes do início oficial em Buenos Aires da reunião de cúpula do G20.

"Me baseando no fato de que os navios e os marinheiros não foram devolvidos à Ucrânia da Rússia, decidi que seria melhor para todas as partes envolvidas cancelar a minha reunião previamente programada na Argentina com o presidente Vladimir Putin", escreveu Trump no Twitter.

Entretanto, acrescentou, confia ter "uma reunião significativa" com o líder russo "assim que essa situação se resolver".

O encontro era um dos pontos fortes do evento, que acontecerá na sexta-feira e no sábado, 10 anos após a criação do fórum, que reúne economias desenvolvidas e emergentes desde 2008.

Mas o agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia forçou o presidente americano a se distanciar de Putin, depois que a Guarda Costeira russa tomou o controle de três navios da Marinha ucraniana no Mar Negro, perto da península ucraniana da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, disparando contra eles e deixando três feridos entre os marinheiros a bordo.

Os presidentes americano e russo se reuniram quatro vezes desde que Trump chegou à Casa Branca, mas apenas uma vez durante uma cúpula, em Helsinque em junho deste ano.

Em seus encontros, os dois presidentes manifestaram a sua intenção de iniciar uma nova etapa nas relações entre Washington e Moscou. Porém, a investigação sobre uma suposta ingerência da Rússia na campanha presidencial americana de 2016 provoca muita tensão nos Estados Unidos.

Multilateralismo em jogo
 
Os líderes das principais economias do planeta desembarcam em Buenos Aires para participar da cúpula, marcada por uma guerra comercial entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do planeta.

É, portanto, a reunião entre o presidente americano e seu homólogo chinês, Xi Jinping, que ganha todos os holofotes.

"Temos dois presidentes que têm uma reunião bilateral e esperamos que estabeleçam os termos de negociações futuras", expressou em Washington à imprensa argentina a titular do FMI, Christine Lagarde, que advogou por "um multilateralismo diferente (...) mais focado nas pessoas".

Nesse sentido, o tempo corre para que os Estados Unidos aumentem novamente suas tarifas às importações da China em 1º de janeiro e aprofunde a "guerra comercial".

No entanto, os analistas não acreditam que o encontro Trump-Xi acabe com as tensões. Os Estados Unidos farão um gesto comercial significativo quando, no âmbito desta cúpula, assinar o novo tratado comercial com México e Canadá, que substituirá o Nafta, rejeitado por Trump após 24 anos de vigência.

E nas ruas já são preparados protestos previstos para sexta-feira. "O G20 é onde os poderosos do mundo se reúnem para planejar o aprofundamento do capitalismo. (...) Não é por acaso que excluam os próprios habitantes do uso do espaço público", disse à AFP Juliana Díaz, uma argentina que participa de um dos eventos críticos a um G20, que deixou bloqueada boa parte da cidade.

O clima na pauta 
 
Trump também deverá medir forças com o presidente da França, Emmanuel Macron, que pretende incluir nos primeiros pontos da agenda do G20 o aquecimento global, antes da conferência climática das Nações Unidas, COP24, em 2 de dezembro na Polônia.

O republicano, um crítico feroz do conceito de mudanças climáticas, retirou seu país dos acordos ambientais de Paris em junho de 2017, pouco depois de chegar à Casa Branca.

As atenções também estarão voltadas para o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman. A pedido da Human Rights Watch, a Justiça local abriu uma investigação sobre Salman, envolvido no escândalo sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que trabalhava para o Washington Post, no consulado de Riad em Istambul.

Em meio a essas tensões geopolíticas, a cúpula terá espaço para um momento histórico.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, chegará a Buenos Aires como a primeira líder britânica a pisar em solo argentino desde a Guerra das Malvinas, em 1982.

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