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Bayer suprimirá 12.000 postos de trabalho após compra da Monsanto

A compra da Monsanto, descrita como o "casamento do diabo" por seus críticos, levou a Bayer a colocar suas atividades agroquímicas e farmacêuticas no centro de sua estratégia

Berlim, Alemanha - A Bayer anunciou nesta quinta-feira (29) a supressão de 12.000 postos de trabalho em todo o mundo até 2021, após a compra da gigante americana de transgênicos e pesticidas Monsanto.

O grupo alemão suprimirá empregos, sobretudo, em sua filial agroquímica, um total de 4.100 empregos, assim como na produção de medicamentos sem receita (1.100) e na de investigação e desenvolvimento (1.250).

O gigante químico e de farmácia elimina, assim, mais de 10% de seus efetivos, o que, segundo ele, permitirá economizar 2,6 bilhões de euros por ano. Em um comunicado, o grupo detalhou que "um número significativo das supressões será na Alemanha".

"Essas mudanças são necessárias e estabelecerão novas bases para a Bayer, lhe permitirão melhorar seus rendimentos e sua flexibilidade", disse Werner Baumann, conselheiro delegado do grupo, com sede em Leverkusen.

A empresa alemã desembolsou 63 bilhões de dólares em junho para adquirir a Monsanto, que produz, entre outros, o glifosato, um herbicida acusado de ser nocivo para a saúde.

Apenas dois meses depois, uma sentença judicial em San Francisco (Estados Unidos) determinou que a Monsanto deveria ter advertido um usuário sobre os riscos de câncer de seu herbicida Roundup, à base de glifosato.

Mas no início deste mês, o demandante aceitou reduzir a indenização por danos a 78 milhões de dólares dos 289 milhões iniciais.

A compra da Monsanto, descrita como o "casamento do diabo" por seus críticos, levou a Bayer a colocar suas atividades agroquímicas e farmacêuticas no centro de sua estratégia.

Por isso quer se separar agora do seu setor de saúde animal, o menor do grupo, e vender duas outras atividades de cuidados pessoais: Coppertone (protetor solar) e Dr. Scholl (cuidados com os pés).

O grupo alemão planeja vender sua participação de 60% na Currenta, que explora três plantas químicas na Alemanha.

Desde a sentença judicial, os investidores observam com nervosismo o grupo. Ativistas e políticos dos Estados Unidos e da Europa argumentam que o glifosato causa câncer, embora a Bayer assinale que estudos científicos não encontraram nenhuma conexão.

No final do mês passado, a filial americana enfrentava 9.300 casos relacionados ao glifosato. Mas Bauman, o conselheiro delegado do grupo, confia na integração da Monsanto.

Embora tenha reconhecido que poderiam apresentar mais processos, reiterou que a Bayer "se defenderá com todos os meios disponíveis".