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Correio Braziliense

Vaticano realiza primeira beatificação em um país muçulmano

Dezenove católicos religiosos, incluindo os sete monges de Tibhirin, serão beatificados no sábado (8) em Oran


postado em 05/12/2018 14:59

É a primeira vez que a Igreja realizará em um país muçulmano uma beatificação de mártires(foto: AFP)
É a primeira vez que a Igreja realizará em um país muçulmano uma beatificação de mártires (foto: AFP)
 
Oran, Argélia - Dezenove católicos religiosos, incluindo os sete monges de Tibhirin, mortos na Argélia durante a "década negra" da guerra civil, serão beatificados no sábado (8) em Oran, a primeira cerimônia de beatificação realizada em um país muçulmano.

Os monges de Tiberíades, 80 quilômetros ao sul de Argel, cujo fim trágico inspirou o filme "Homens e deuses" (2010), do francês Xavier Beauvois, foram sequestrados em março de 1996 em seu mosteiro de Notre-Dame du Atlas.

Anunciadas em 23 de maio pelo Grupo Islâmico Armado (GIA), as circunstâncias exatas de seu assassinato ainda não foram esclarecidas.

Ao mesmo tempo, serão beatificados o monsenhor Pierre Claverie - bispo de Orã e ferrenho defensor da reaproximação entre religiões, morto pela explosão de uma bomba em 1º de agosto de 1996 -, além de seis religiosas e cinco monges mortos a tiros entre 1994 e 1995 em Argel e Tizi-Ouzou, leste de Argel.

"Essa cerimônia é uma maneira de destacar a ação desses 19 homens e mulheres que escolheram ficar na Argélia, apesar da violência", afirmou o cardeal de Argel, monsenhor Paul Desfarges, à AFP.

Além de sua aproximação com a camada mais pobre da população, muitos estudaram árabe e o Corão para estabelecer um diálogo entre cristãos e muçulmanos.

Presidida pelo enviado especial do papa Francisco, cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos (encarregado dos processos de beatificação e de canonização no Vaticano), a cerimônia será realizada na igreja de Notre-Dame de Santa Cruz, na zona oeste da capital.

É a primeira vez que a Igreja realizará em um país muçulmano uma beatificação de mártires, recordou, em Roma, o padre Thomas Georgeon, defensor da causa.

Cerca de 200 mil pessoas morreram durante a guerra, incluindo vários civis, vítimas de ataques, ou de massacres, atribuídos aos grupos islamitas que entraram em confronto com as forças de segurança entre 1992 e 2002.

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