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Correio Braziliense

Conservadores alemães elegem protegida de Merkel para chefiar partido

Apesar da perda da presidência do partido, Angela Merkel espera continuar como chanceler até o término de seu atual e quarto mandato, em 2021


postado em 07/12/2018 18:34

Kramp-Karrenbauer (conhecida como
Kramp-Karrenbauer (conhecida como "AKK"), é considerada a "Merkel bis", já que defende a mesma linha de centro-direita (foto: Reuters)
 
Hamburgo, Alemanha - O partido conservador alemão CDU elegeu, nesta sexta-feira (7), uma protegida de Angela Merkel, Annegret Kramp-Karrenbauer, para chefiá-lo, após 18 anos de comando da chanceler.

Segunda na hierarquia da União Democrata-Cristã, Annegret, de 56 anos, conquistou a presidência da formação com 51,7% dos votos. Ela venceu, assim, Friedrich Merz, um crítico de Merkel, que pregava uma guinada à direita do partido. 

Apesar da perda da presidência do partido, Angela Merkel espera continuar como chanceler até o término de seu atual e quarto mandato, em 2021.

A vitória de Kramp-Karrenbauer (conhecida como "AKK"), considerada a "Merkel bis", já que defende a mesma linha de centro-direita, aumenta as possibilidades de que a chanceler consiga terminar o seu mandato em 2021, como pretende. 

Após o anúncio dos resultados, a maioria dos delegados presentes comemoraram e gritaram "AKK, AKK". Muito emocionada, a eleita se dirigiu ao palanque onde abraçou Angela Merkel, sua mentora.

Kramp-Karrenbauer agradeceu a seus dois adversários, Friedrich Merz e o jovem ministro da Saúde, Jens Spahn, outro crítico de Merkel e eliminado no primeiro turno, "por uma disputa justa" e prometeu trabalhar com eles no futuro.

Depois de 13 anos à frente da maior potência econômica e política europeia, Merkel renunciou no fim de outubro à liderança da CDU, após os resultados negativos do partido nas eleições regionais na Baviera (sul) e em Hesse (oeste).

A chanceler alemã fez uma defesa nesta sexta-feira aos valores "cristãos e democráticos", ante o avanço das tendências populistas e nacionalistas no mundo, em seu último discurso como presidente da CDU.

"Nestes momentos difíceis, não devemos esquecer nossos valores cristãos e democratas", afirmou Angela Merkel.

'Reconhecimento'

"Sinto reconhecimento por ter sido presidente durante 18 anos", afirmou Merkel na abertura do congresso na quinta-feira. "Foi um período muito longo, no qual a CDU passou por altos e baixos", acrescentou.

A chanceler alemã, chamada carinhosamente no passado de "Mutti" (Mamãe) pela imprensa alemã, espera chegar ao fim de seu mandato como chefe de Governo, previsto para 2021. Isso dependerá em grande parte, porém, de seu sucessor à frente da CDU.

Para Eckhard Jesse, a possibilidade de Merkel concluir seu mandato "está praticamente descartada, pois o SPD (Partido Social-Democrata) não permanecerá na coalizão de governo até este ano".

Diante da pressão do partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha (AfD) e do Partido Verde (centro), a centro-direita alemã enfrenta um cenário de declínio eleitoral e precisa de um novo impulso.

Ao lado do aliado bávaro CSU (União Social-Cristã), a CDU tem de 26% a 28% das intenções de voto, de acordo com as pesquisas. Nas legislativas de setembro de 2017, a coalizão recebeu 33% dos sufrágios.

Os social-democratas, que integram a grande coalizão de governo da Alemanha, enfrentam uma grave crise eleitoral.

As perspectivas eleitorais do AfD, a terceira força política no Parlamento alemão após o ótimo resultado em setembro do ano passado, ganharam força com o medo da imigração estimulada pela política de Merkel, que aceitou abrir as fronteiras do país e receber mais de um milhão de sírios e iraquianos entre 2015 e 2016.

Para os aspirantes à liderança da CDU, o principal objetivo é recuperar os antigos eleitores, que agora preferem a extrema-direita. Por este motivo, Merz questionou o direito de asilo na forma como está definido na Constituição alemã.

Kramp-Karrenbauer aposta na proposta de repatriar os refugiados condenados por algum crime, inclusive os sírios.

Todos os candidatos querem distância do legado de Merkel. "Foi um erro levar a CDU para a esquerda, o que permitiu ao AfD se situar à direita sem fazer grandes esforços. Também foi um erro permitir durante meses uma perda de controle nas fronteiras", afirmou a revista Der Spiegel.

"A CDU deve reconhecer, embora com isto pareça que vão matar a mãe", completou a publicação.

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