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Correio Braziliense

Time elege jornalistas combativos ao redor do mundo personalidades do ano

O jornalista saudita assassinado na Turquia, Jamal Khashoggi, é homenageado pela Time, ao lado de profissionais dos Estados Unidos, das Filipinas e de Mianmar


postado em 11/12/2018 10:29 / atualizado em 11/12/2018 14:31

Ver galeria . 4 Fotos Jamal KhashoggiAFP
Jamal Khashoggi (foto: AFP )

Em tempos nos quais a liberdade de imprensa é posta à prova, a revista americana Time elegeu o jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado em 2 de outubro no consulado da Arábia Saudita em Istambul, como uma das personalidades do ano, ao lado de outros repórteres presos ou perseguidos durante o exercício da profissão.

Além do saudita, que trabalhava para o Washington Post, a publicação homenageou a jornalista filipina Maria Ressa; os repórteres birmaneses da agência de notícias Reuters Wa Lone e Kyaw Soe, presos em Mianmar; e a redação do jornal norte-americano Capital Gazette, que teve cinco profissionais mortos durante um atentado a arma de fogo em junho deste ano.

Esta é a primeira vez que jornalistas são eleitos personalidades do ano pela revista, que concede o título desde 1927. A homenagem também nunca havia sido feita a uma pessoa falecida. 

Os jornalistas venceram Donald Trump, designado como personalidade do ano em 2016 e segundo colocado no ano passado. O presidente norte-americano era cotado como favorito pelas casas de apostas.

Jamal Khashoggi

(foto: Capa/ Time)
(foto: Capa/ Time)
O jornalista saudita foi assassinado em 2 de outubro no consulado da Arábia Saudita em Istambul. Segundo o governo turco, a ordem para matar e esquartejar o jornalista teriam vindo dos "mais altos cargos" do governo saudita.


A operação teria sido executada por 15 pessoas enviadas pela Arábia Saudita, que deixaram o país no mesmo dia do crime, algumas em voos privados e outras em voos comerciais.

Na última segunda-feira (10/12), a rede de notícias CNN divulgou que uma fonte com acesso às transcrições dos áudios do assassinato disse que às últimas palavras do jornalista do Washington Post foram: "Não consigo respirar". Segundo a fonte, barulhos do corpo do jornalista sendo esquartejado também são audíveis.

Jornal Capital Gazette

(foto: Capa/ Time)
(foto: Capa/ Time)
A publicação também concedeu o título ao jornal Capital Gazette, que em junho deste ano, teve quatro jornalistas e um assistente de vendas mortos durante um atentado a tiros na redação do jornal, em Annapolis, a 50km de Washington. 


O atirador identificado como Jarrod Ramos, 38 anos, teria sido motivado por vingança. Segundo a polícia local, Ramos estava há anos ressentido com o Capital Gazette pela publicação de uma coluna sobre seu suposto assédio a uma mulher. Por causa desse conteúdo, Ramos processou o jornal em 2011 por difamação, mas perdeu o caso na primeira instância e depois na apelação.

Maria Ressa

(foto: Capa/ Time)
(foto: Capa/ Time)
A jornalista filipina está à frente do site de notícias Rappler, que faz cobertura crítica das políticas violentas e controversas do presidente Rodrigo Duterte. Em destaque, está a cobertura da guerra contra as drogas que deixou cerca de 12 mil mortos no país.


O governo filipino se nega a conceder credencial aos jornalistas do Rappler para a cobertura do presidente, além de recentemente acusar o site de fraude fiscal, ameaçando Ressa a 10 anos de prisão.

Wa Lone e Kyaw Soe

(foto: Capa/ Time)
(foto: Capa/ Time)
Os jornalistas da agência de notícias Reuters Wa Lone, 32 anos, e Kyaw Soe Oo, 27, foram condenados a sete anos de prisão por possuir "documentos secretos" relacionados às operações das forças de segurança no estado do Mianmar, onde o exército organizou uma campanha de repressão contra a minoria rohingya.


Diversas entendidades protestaram contra a condenação, alegando que seria um atentado à liberdade de de imprensa. Com informações da Agence France-Presse.
 
*Estagiária sob supervisão de Humberto Rezende

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