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Correio Braziliense

Confira os possíveis após votação da moção de confiança contra May

A moção prevista pelos deputados conservadores pode derrubar May e mudar os rumos da negociação do Brexit


postado em 12/12/2018 11:12 / atualizado em 12/12/2018 11:16

(foto: HO / AFP / PRU)
(foto: HO / AFP / PRU)
 
Londres, Reino Unido - A moção de censura prevista para esta quarta-feira à noite (12/12) pelos deputados conservadores contra a primeira-ministra Theresa May pode derrubá-la do poder, ainda que ela tenha anunciado que vai lutar "com todas as suas forças".

Neste caso, o que aconteceria com o Brexit? Confira abaixo as próximas etapas e cenários:

Theresa May perde a moção de confiança:

 
Um novo líder: Os deputados conservadores decidem, nesta quarta, o destino da premiê. Se ela cair, começa a corrida por sua sucessão.

Os candidatos devem ser deputados conservadores e contar com o apoio de pelo menos dois colegas.

Em sucessivas votações secretas, os deputados "tories" vão eliminando o candidato menos popular até restarem dois finalistas.

Estes dois nomes se submetem ao conjunto de membros do Partido Conservador, ao fim de uma campanha em todo país que pode durar várias semanas.

O processo também pode ser rápido, porém: May ganhou em julho de 2016 sem necessidade de votação após a desistência de seu então oponente, Andrea Leadsom.

Renegociação com Bruxelas: Entre os candidatos, há um bom número de partidários do Brexit, ardorosamente contrários ao acordo que May concluiu com Bruxelas por considerar que mantém o Reino Unido nas redes da UE.

O novo líder pode, assim, decidir negociar um texto diferente com os 27. Até o momento, porém, essa perspectiva foi rejeitada por Bruxelas e pelos líderes dos países-membros.

Uma nova negociação pode tornar necessário o adiamento da data prevista para o Brexit, em 29 de março de 2019.

Brexit sem acordo : O novo premiê também pode decidir que o país deixará o bloco sem um acordo.

Nesse cenário, da noite para o dia, as relações econômicas entre Reino Unido e UE passariam a estar regidas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), devendo ser aplicada de forma urgente uma série de controles aduaneiros e regulatórios.

É uma cenário temido pelos setores econômicos britânicos. Provocaria a queda da libra e mergulharia as empresas na incerteza.

Entre outros efeitos, pode causar escassez de remédios, monstruosos engarrafamentos nos portos e impedir voos de companhias aéreas britânicas.
 

Theresa May perde a moção de confiança: 

 
Ratificação parlamentar: A primeira-ministra termina seus novos contatos com os 27 em busca de garantias adicionais e submete o acordo ao Parlamento. Depois de anular a sessão de ratificação prevista para esta terça, May anunciou que a nova votação aconteceria antes de 21 de janeiro.

Reforçada por sua vitória e diante do temor de um Brexit sem acordo, talvez consiga o apoio de uma maioria de deputados, o que levaria a um Brexit tranquilo, com um período de transição inicialmente previsto até o final de 2020, mas ampliável até 2022.

Se os deputados rejeitarem o texto, o governo deverá anunciar, em até 21 dias, o que pretende fazer.
 

Eleições: A rejeição do acordo pode marcar o fim definitivo de May, que pode renunciar se uma maioria esmagadora enterrar seu texto, ou convocar eleições gerais antecipadas.

A oposição trabalhista também pode lançar uma moção de censura contra o governo.

Se tiver sucesso, isso leva à formação de um novo Executivo no prazo de duas semanas, ou à organização de novas eleições legislativas - que é o que o Partido Trabalhista gostaria de fazer.
 

Segundo referendo : A premiê sempre rejeitou a ideia de uma segunda consulta popular sobre o Brexit, mas a ideia ganhou terreno nos últimos tempos, dada a forte resistência que seu plano de saída da UE enfrenta.

Os trabalhistas advertiram que, se não forem convocadas novas eleições, podem se posicionar a favor da convocação de um novo referendo sobre o Brexit. Embora essa opção conte com o apoio da Câmara, sua organização exigiria o adiamento da data de um eventual Brexit.  

Nada garante que esta nova consulta vá ter um resultado diferente daquele registrado em junho de 2016, quando 52% dos britânicos votaram a favor de sair da UE.

Na segunda-feira, a Justiça europeia deixou claro, porém, que, se o Reino Unido decidir dar marcha a ré, pode fazer isso de forma unilateral. O prazo para isso é até que sua saída se torne efetiva.

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