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Correio Braziliense

Trump garante que nunca pediu a ex-advogado para burlar a lei

Na avaliação de Trump, foi um "erro" ter contratado Cohen e "qualquer coisa que ele tenha feito, fez por conta própria"


postado em 13/12/2018 18:25

(foto: AFP)
(foto: AFP)
 
Washington, Estados Unidos - Donald Trump negou nesta quinta-feira (13) que tenha ordenado que seu ex-advogado Michael Cohen violasse a lei, depois que este ex-aliado do presidente dos Estados Unidos foi condenado a três anos de prisão por violar as regras de financiamento de campanha e outros crimes.

O presidente, que em janeiro vai iniciar seu terceiro ano no cargo, enfrenta uma situação cada vez mais delicada, com procuradores federais e a investigação especial sobre um suposto conluio com a Rússia se aproximando cada vez mais dele.

Mas nesta quinta-feira mostrou-se tão combativo como sempre no Twitter, onde tentou se distanciar de seu ex-advogado.

"Eu nunca pedi a Michael Cohen para violar a lei. Ele era um advogado e deveria conhecer a lei", tuitou o presidente. "Cohen foi considerado culpado de várias acusações não relacionadas a mim", acrescentou.

Na quarta-feira, o advogado, de 52 anos, pediu desculpas por acobertar os "atos sujos" de seu ex-chefe, ao ser condenado a três anos de prisão por evasão de impostos, declarações falsas a um banco e contribuições ilegais de campanha, inclusive pagamentos em dinheiro para ocultar casos extraconjugais que mulheres alegaram ter mantido com Trump.

Particularmente, por ter feito pagamentos ilegais a uma atriz pornô e a uma modelo da Playboy para que não falassem publicamente de suas supostas relações com Trump, que já era casado. O presidente negou ter mantido relações sexuais com estas mulheres.

Cohen admitiu que os pagamentos, que violaram as leis de financiamento de campanha, foram feitos para evitar um possível escândalo no momento culminante da campanha presidencial de 2016, na qual Trump derrotou sua adversária democrata, Hillary Clinton. 

Ao pedir indulgência ao juiz William H. Pauley III em um tribunal em Manhattan, Cohen afirmou que ele havia sido corrompido, devido à sua admiração pelo presidente republicano.

Emocionado, declarou no tribunal que aceitava a responsabilidade por seus crimes pessoais e por "aqueles envolvendo o presidente dos Estados Unidos da América".

Na primeira reação pública desde a sentença, Trump tuitou que foi vítima da negligência de Cohen. "Era um advogado e se supõe que devia conhecer a lei (...) Um advogado tem grande responsabilidade se cometer um erro. Para isso são pagos".

"Envergonhar o presidente"

Em sua primeira reação pública desde a sentença, Trump tuitou que especialistas jurídicos estabeleceram que ele "não errou" e novamente negou ter violado as leis de financiamento de campanha, argumentando que os crimes de Cohen não incluíam financiamento de campanha.

"Cohen foi culpado de muitas acusações alheias a mim, mas se declarou culpado de duas acusações de campanha que não eram criminosas e das quais ele provavelmente não era culpado, mesmo em uma base civil", escreveu o presidente em sua conta no Twitter.

"Essas acusações foram aceitas por ele para envergonhar o presidente e obter uma redução em sua sentença de prisão, o que ele conseguiu, incluindo o fato de que sua família ficou temporariamente livre de acusações. Como advogado, Michael tem uma grande responsabilidade por mim!", insistiu Trump.

Mas os promotores pintam um cenário muito diferente, vinculando os pagamentos de silêncio à campanha e envolvendo o presidente nos crimes de Cohen. 

No caso da modelo da Playboy Karen McDougal, sua história foi enterrada deliberadamente pelos editores do jornal National Enquirer, que está cooperando com a Promotoria.

Os editores disseram em seu acordo de cooperação que foram pagos para comprar os direitos de histórias constrangedoras sobre Trump e depois não publicá-las.

Trump, que também está tentando se esquivar de uma investigação sobre um possível conluio, em 2016, entre sua equipe de campanha eleitoral e funcionários russos, descreve o crescente cerco contra ele como uma caça às bruxas.

A maioria dos especialistas estão de acordo em que um presidente em exercício não pode ser acusado de supostos crimes, enquanto o atual controle republicano do Senado significa que é improvável que se leve adiante um processo de impeachment. Teoricamente, Trump poderia ser processado ao deixar o cargo.

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