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Correio Braziliense

Iemenitas temem fragilidade de trégua em conflito

De forma quase inesperada, os atores do conflito chegaram a um acordo de trégua na quinta-feira


postado em 15/12/2018 13:27

Iemên - O acordo de trégua alcançado na Suécia representa uma esperança para o Iêmen, embora seus habitantes temam a fragilidade do processo de paz e a desconfiança que persiste entre as forças pró-governo e os rebeldes huthis.

De forma quase inesperada, os atores do conflito chegaram a um acordo de trégua na quinta-feira. Mas os moradores de Hodeida, principal palco dos combates, estavam cautelosos e inquietos.

Na sexta-feira, houve confrontos nos bairros das zonas leste e oeste desta estratégica cidade portuária, por onde transita a maior parte da ajuda humanitária.

"Fiquei feliz que eles conseguiram uma solução para Hodeida, mas nossa alegria não durou muito", explicou Nuha Ahmed, de 28 anos, que mora nesta cidade do oeste do país.

Omar Hasan, de 40 anos, reconhece que os habitantes "esperavam desesperadamente um retorno à calma e à segurança". "Agora, temos medo de que a luta seja retomada e continue", acrescentou.

No entanto, este sábado a situação parecia mais calma em Hodeida, embora as lojas estivessem fechadas no sul e leste da cidade, onde homens armados podiam ser vistos.

Após o acordo alcançado na Suécia, um cessar-fogo "imediato" em Hodeida deveria ser aplicado. A retirada dos combatentes teria que acontecer nos "próximos dias". 

Uma troca de 15.000 prisioneiros também está previsto, bem como a entrada de ajuda humanitária em Taez, cidade no sudoeste do país nas mãos de forças pró-governo e agora sitiada pelos rebeldes.

Outra mesa de diálogo vai acontecer em janeiro para discutir o modelo de negociacições de paz.

O acordo alcançado na quinta é o mais importante para o início da guerra em 2014, mas sua aplicação enfrentará vários obstáculos e exigirá uma grande pressão internacional, acreditam os especialistas.

De fato, a desconfiança entre os combatentes predomina. "Não esperamos que o inimigo respeite o acordo, pois não é leal ou pacífico", afirmou Mohamed Abdo, um soldado dos rebeldes xiitas huthis.

"A paz é alcançada com armas", acrescenta Abdo, patrulhando as ruas de Hodeida acompanhado de outros soldados.

No centro e no norte de Hodeida, os habitantes tentam retomar suas ocupações diárias, mas são prudentes.

"Os acordos de trégua sempre fracassam e isso pode acontecer com o atual a qualquer momento", reconhece um habitante de Hodeida, cenário desde junho de intensa ofensiva da coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Em outras cidades do Iêmen, o país mais pobre do Golfo, as dúvidas sobre o acordo de trégua também predominam.

"Estamos preparados para todas as opções e vamos reagir a qualquer violação (da trégua) por parte do inimigo", disseram as autoridades militares huthis em um comunicado.

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