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Correio Braziliense

Bomba explode diante de sede de TV na Grécia

A polícia antiterrorista abriu uma investigação e suspeita dos grupos extremistas gregos


postado em 17/12/2018 15:01

Segundo as autoridades, a bomba foi colocada em uma rua estreita perto da cerca em torno do prédio(foto: Reprodução/Twitter)
Segundo as autoridades, a bomba foi colocada em uma rua estreita perto da cerca em torno do prédio (foto: Reprodução/Twitter)
 
Atenas, Grécia - Uma bomba de fabricação caseira explodiu nesta segunda-feira (17) diante da sede da emissora de rádio e televisão Skai, na região de Atenas, sem deixar vítimas, mas provocando danos na fachada do edifício.

O governo condenou este "ato de terrorismo", enquanto o primeiro-ministro Alexis Tsipras denunciou um "atentado contra a democracia". A polícia antiterrorista abriu uma investigação e suspeita dos grupos extremistas gregos.

O artefato, "de grande potência", explodiu às 2h30 locais, 45 minutos depois de uma ligação anônima para uma outra emissora e para um site de informação para avisar sobre a explosão, informou uma fonte da polícia.

Após a ligação, a polícia fechou as ruas próximas e evacuou o edifício, sede da Skai, uma das emissoras mais importantes do país e que pertence à família Alafouzos.

Segundo as autoridades, a bomba foi colocada em uma rua estreita perto da cerca em torno do prédio, o que causou uma "grande explosão".

As janelas da fachada do edifício Skai foram destruídas, causando "importantes danos", de acordo com um comunicado da emissora, cuja sede está localizada na periferia de Neo Phaliro.

Ataques contra emissoras de rádio e televisão, bancos, instituições públicas, ou representações diplomáticas têm sido recorrentes na Grécia há anos, atribuídos a grupos anarquistas, ou de extrema esquerda.

Em 13 de novembro, o procurador-adjunto do Tribunal de Cassação de Atenas foi alvo de uma tentativa de ataque com artefato incendiário. O dispositivo foi descoberto pela polícia em frente à residência da autoridade e desativado após dois telefonemas anônimos.

O ataque contra Skai é "um atentado dos poderes covardes e obscuros contra a democracia. Eles, no entanto, não terão sucesso em seu objetivo de aterrorizar e desorientar", declarou Alexis Tsipras, em comunicado.

O líder do governo de coalizão, liderado pelo seu partido de esquerda, o Syriza, e pelo partido nanico soberanista de direita Anel, expressou "seu apoio aos jornalistas e àqueles que trabalham na emissora".

Kyriakos Mitsotakis, o líder do partido de oposição Nova Democracia, de direita, foi ao local para expressar "seu apoio aos funcionários". "A democracia e a pluralidade não podem ser amordaçadas", disse ele.

O prédio de vários andares também abriga o jornal Kathimerini, o maior de centro-direita da oposição, bem como sua emissora de rádio e televisão.

"O ataque terrorista não nos desencorajará (...) continuaremos a fazer nosso trabalho, monitorando o poder com independência", afirmou o comunicado da Skai, acusando o governo de não proteger adequadamente a imprensa, apesar das "ameaças recorrentes".

"Alguns funcionários do governo e mecanismos de propaganda transformaram a emissora em um alvo", aponta o comunicado.

O porta-voz do governo, Dimitris Tzanakopoulos, rejeitou as acusações e "qualquer tentativa de vincular este ato terrorista ao confronto político".

O ataque não foi reivindicado, mas, segundo alguns especialistas, o modo de ação corresponde ao do grupo de extrema esquerda grego OLA (Grupo de Combatentes Populares). Desde sua aparição, em 2013, este último assumiu a autoria de pelo menos cinco ataques semelhantes, que não deixaram vítimas.

Seu mais recente atentado ocorreu em 22 de dezembro de 2017 contra o Tribunal de Apelação de Atenas, causando danos materiais.

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