Publicidade

Correio Braziliense

Petroleira pedirá 'verificações' após denúncia de poluição na Argentina

A petroleira francesa Total anunciou que pedirá "verificações complementares" após uma denúncia de poluição feita por indígenas mapuches e pelo Greenpeace


postado em 18/12/2018 19:57

A Confederação Mapuche apresentou a denúncia, à qual depois se uniram outras organizações, como o Greenpeace(foto: Reuters)
A Confederação Mapuche apresentou a denúncia, à qual depois se uniram outras organizações, como o Greenpeace (foto: Reuters)
 
Paris, França - A petroleira francesa Total anunciou, nesta terça-feira, que pedirá a uma empresa subcontratada na Argentina "verificações complementares", após uma denúncia de poluição feita por indígenas mapuches e pelo Greenpeace, perto do campo estratégico de Vaca Muerta, na Patagônia.

A Confederação Mapuche apresentou a denúncia, à qual depois se uniram outras organizações, como o Greenpeace.

Em declaração enviada à AFP, a Total afirma que a ação só recai sobre a empresa argentina Treater Neuquen S.A., que administra instalações de tratamento de resíduos do petróleo situadas perto da cidade de Añelo, em uma região com alta porcentagem de população mapuche.

No entanto, segundo a denúncia consultada pela AFP, embora os mapuches acusem diretamente a Treater Neuquen S.A, também solicitam que a investigação se estenda a cinco clientes: as petroleiras Total, Y.P.F - sócia da Shell no terreno -, Exxon, Pan American Energy e Pampa Energía.

Enquanto o Greenpeace denuncia a presença de despejos tóxicos ao ar livre nesse lugar, "sem nenhuma proteção entre os resíduos e a terra", a Total afirma que seu contrato com a Treater Neuquen estipula que seus resíduos sólidos "devem ser tratados por combustão em um forno pirolítico" e que as águas de limpeza das cubas de lama de perfuração e de desentupimento dos poços sejam armazenadas "em cubas fechadas".

Estas águas depois são "tratadas para separar os hidrocarbonetos da água a fim de valorizá-los: a água alimenta o circuito de resfriamento dos fornos pirolíticos e os hidrocarbonetos recuperados são utilizados como combustível", segundo a Total, que acrescenta que durante sua última inspeção, em outubro de 2017, estes procedimentos estavam sendo "respeitados".

O Greenpeace acusou a petroleira de tentar se eximir de responsabilidade. 

"A Total é uma empresa mundial, com um orçamento consequente. Não estar a par desses fatos graves por parte de sua empresa subcontratada é preocupante", disse à AFP Angelina Pineau, responsável de Florestas e Oceanos do Greenpeace França.

Sobre o outro ponto denunciado pela ONG, a proximidade do campo de petróleo das casas de mapuches, a Total afirma que estas instalações "entraram em serviço antes da entrada em vigor" de um decreto que proíbe a criação de tais locais em um raio de 5 km das zonas residenciais.

Estas instalações "se beneficiam de uma autorização de exploração renovada anualmente pela província", e a última data de agosto de 2018, segundo a Total.

"Uma autorização administrativa não dá à Total carta branca para cometer danos ambientais", disse Pineau, destacando a "obrigação de vigilância" da petroleira.

Várias empresas petroleiras operam em Vaca Muerta, considerada pelo departamento americano de Energia a segunda reserva mundial de gás de xisto, e a quarta de óleo de xisto.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade