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Correio Braziliense

Mais de 30.000 fogem da Nigéria em três semanas após ataques do Boko Haram

ONU declarou que situação é uma 'tragédia humanitária'


postado em 09/01/2019 20:09

O conflito entre o Exército nigeriano e o grupo radical islâmico Boko Haram deixou mais de 27.000 mortos desde 2009(foto: Audu Marte/AFP)
O conflito entre o Exército nigeriano e o grupo radical islâmico Boko Haram deixou mais de 27.000 mortos desde 2009 (foto: Audu Marte/AFP)
Lagos, Nigéria - Mais de 30.000 pessoas se refugiaram em Maiduguri, capital do estado de Borno, no nordeste da Nigéria, desde 20 de dezembro, após a volta dos combates entre o Exército nigeriano e o grupo jihadista Boko Haram, anunciou a ONU nesta quarta-feira (9/1).

"Mais de 30.000 deslocados chegaram a Maiduguri nestas últimas semanas, majoritariamente de Baga", cidade da qual o Boko Haram tomou o controle temporariamente, revelou a ONU em um comunicado.

As Nações Unidas mencionaram uma "tragédia humanitária", em um momento em que as cifras oficiais até agora só davam conta de milhares de deslocados.

"As Nações Unidas estão extremamente preocupadas pelas consequências das violências com as populações civis, no nordeste da Nigéria, particularmente no estado de Borno", coração do conflito que assola o pais há cerca de dez anos, denunciou Edward Kallon, coordenador da ONU para a Nigéria, após uma visita aos campos.

"Uns 260 trabalhadores humanitários foram obrigados a abandonar os distritos de Monguno, Kala-Balge e Kukawa, zonas afetadas pelo conflito desde novembro, pondo em risco a assistência humanitária para centenas de milhares de pessoas", lamentou Kallon.

Estima-se que 1,8 milhão de pessoas sigam sem poder voltar a seus lares na região do Lago Chade. O conflito deixou mais de 27.000 mortos desde 2009.

O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, que desde dezembro de 2015 tinha afirmado assiduamente que a insurreição jihadista estava "tecnicamente vencida", admitiu na segunda-feira que o exército sofria reveses em sua luta contra o Boko Haram.

Os insurgentes intensificam os ataques há seis meses, especialmente contra as bases militares, e mataram dezenas, até mesmo centenas, de soldados.

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