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Correio Braziliense

Parlamento decide nesta terça-feira a saída do Reino Unido do Brexit

Negociada há dois anos e marcada para se efetivar em 29 de março, a saída está nas mãos da Câmara dos Comuns - e pode ser adiada ou mesmo suspensa


postado em 15/01/2019 09:23 / atualizado em 15/01/2019 09:23

Manifestantes pró e anti-Brexit começam o dia no lado de fora da Casa do Parlamento do Reino Unido(foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)
Manifestantes pró e anti-Brexit começam o dia no lado de fora da Casa do Parlamento do Reino Unido (foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)

 
A saída do Reino Unido da União Europeia (UE), negociada há dois anos e marcada para se efetivar em 29 de março, está nas mãos da Câmara dos Comuns — e pode ser adiada ou mesmo suspensa. Os deputados votarão, nesta terça-feira (15/1), sobre o acordo fechado pela primeira-ministra Theresa May com a cúpula do bloco e, até a noite dessa segunda, a aprovação parecia ao menos duvidosa. Além da oposição trabalhista e de um pequeno partido que dá sustentação ao governo, dezenas de parlamentares do Partido Conservador (governista) mantinham a disposição de rejeitar o texto. Em um apelo de última hora, a premiê advertiu sobre as consequências de um impasse em torno do Brexit, aprovado pelos eleitores em plebiscito, para a credibilidade do sistema político.

“Há alguns em Westminster (o palácio que abriga o parlamento) que querem atrasar ou até deter o Brexit e usarão todos os dispositivos disponíveis para fazê-lo”, discursou May em uma fábrica de louças em Stoke-on-Tent, cidade no centro da Inglaterra onde a maioria votou pela separação, em 2016. “Enquanto a saída sem acordo continua sendo um risco sério, meu julgamento agora é de que o desfecho mais provável será uma paralisação no parlamento, o que cria o risco de não haver Brexit”, acrescentou.

Mais tarde, no próprio parlamento, a chefe de governo pediu aos deputados que dessem “uma segunda olhada” para o acordo e lembrassem que “o resultado do referendo deve ser aceito”. Depois, alertou para as consequências de frustrar a decisão popular em favor do rompimento com a UE: “A confiança das pessoas no processo democrático e nos políticos sofreria um dano catastrófico”.

Aceno

 
No esforço final para virar o jogo, o governo publicou uma carta de Bruxelas destinada a acalmar as preocupações dos deputados, especialmente sobre o ponto mais crítico do acordo: o “backstop”, um mecanismo complexo criado para evitar uma fronteira entre a Irlanda do Norte, território britânico, e a República da Irlanda, país-membro da UE.  O texto, assinado pelos presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia (braço executivo do bloco), Jean-Claude Juncker, afirma que Bruxelas “não quer que o backstop entre em vigor”.

As garantias, porém, não bastaram para mudar a disposição do pequeno partido norte-irlandês que garante a maioria parlamentar de May e fechou posição contra o acordo do Brexit. Na mesma direção se pronunciou o Partido Liberal Democrata, de centro. “As palavras calorosas da UE, que sem dúvida a primeira-ministra utilizará para tentar fazer os deputados a apoiarem, não contribuem em nada para resolver o problema da fronteira irlandesa”, afirmou o porta-voz Tom Brake.

Os governos europeus acenam com a possibilidade de prolongar o processo. “Caso não haja acordo, existe a possibilidade de continuar a buscá-lo. É possível também que os prazos sejam prorrogados, que continue se discutindo”, disse, em Madri, o chefe da diplomacia espanhola, Josep Borrel. “Gostaríamos que a votação seja favorável” afirmou um assessor do presidente francês, Emmanuel Macron. “Mas, se não for o caso, cabe ao Reino Unido fazer petições e propostas”, sugeriu.

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