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Correio Braziliense

Ataque jihadista no Quênia termina com 21 mortos

O grupo Al Shebab informou que o ataque foi uma represália pela decisão do presidente Donald Trump de transferir a embaixada americana de Israel para Jerusalém


postado em 16/01/2019 19:25

O ataque foi orquestrado pelo líder da Al-Qaeda, Ayman al Zawahiri(foto: Agência France Presse)
O ataque foi orquestrado pelo líder da Al-Qaeda, Ayman al Zawahiri (foto: Agência France Presse)
 
Nairobi, Quênia - As forças de segurança quenianas acabaram nesta quarta-feira, após quase 20 horas, com o ataque do grupo islâmico somali Al Shebab contra um complexo hoteleiro de Nairóbi, que deixou ao menos 21 mortos.

"Posso confirmar a vocês que a operação de segurança no complexo de Dusit terminou há uma hora e que todos os terroristas foram liquidados", declarou o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, em entrevista coletiva.

Kenyatta elogiou o trabalho das forças de segurança quenianas, destacando que "mais de 700 civis foram retirados do complexo desde o início do ataque até as primeiras horas da manhã".

O grupo Al Shebab informou que o ataque foi uma represália pela decisão do presidente Donald Trump de transferir a embaixada americana de Israel para Jerusalém, em mensagem captada pelo grupo de vigilância SITE.

Segundo o SITE, o ataque foi orquestrado pelo líder da Al-Qaeda, Ayman al Zawahiri.

O ataque empregou cinco terroristas e todos morreram, segundo o chefe da polícia queniana, Joseph Boinnet. "Um foi o suicida que se explodiu, dois foram mortos durante a noite e outros dois hoje (madrugada)".

Boinnet precisou que o ataque matou 16 quenianos, um americano, um britânico e "três pessoas de origem africana ainda não identificadas".

O americano que morreu no ataque, Jason Spindler, era um consultor especializado em projetos de economias emergentes que havia sobrevivido aos atentados de 11 de setembro de 2001.

Um dos membros do comando foi identificado e a casa onde vivia em Ruaka, no subúrbio de Nairóbi, foi revistada pela polícia.

Dois suspeitos foram detidos no bairro de maioria muçulmana de Eastleigh, e outro em Ruaka, informou à AFP o diretor de investigações criminais George Kinoti.

Boinnet revelou que o ataque coordenado contra o complexo DusitD2 começou com uma forte explosão, ouvida a mais de cinco quilômetros de distância. Depois, houve muitos disparos.

As imagens do circuito interno de segurança divulgadas pela imprensa local mostram quatro homens equipados com armas automáticas e granadas entrando no complexo, e ao menos um extremista detonou seus explosivos no início da ação.

Parentes das vítimas se reuniram perto do necrotério, mas não foram autorizados a ver os corpos. 

"Minha irmã não está em nenhum hospital e, da última vez que nos falamos, ela de repente começou a chorar e a gritar, e eu pude ouvir tiros", lamentou uma mulher chamada Njoki. "Não temos dúvida. O corpo dela deve estar aqui", completou.

Em um comunicado divulgado em Nova York, o secretário-geral da ONU, António Guterres, "condenou veementemente" o ataque, descrito como "covarde" pelo presidente da Comissão da União Africana, Mussa Faki.

Não é a primeira vez que o país vive um ataque tão violento. Em 7 de agosto de 1998, um ataque reivindicado pela Al-Qaeda contra a embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi deixou 213 mortos e 5.000 feridos.

E, desde que as Forças Armadas quenianas foram mobilizadas em outubro de 2011 na Somália para combater os islamitas shebab, o Quênia passou a ser regularmente atacado.

Em 21 de setembro de 2013, um comando islamista atacou o shopping center Westgate em Nairóbi. A operação para pôr fim ao ataque durou 80 horas e deixou 67 mortos. 

Em 2 de abril de 2015, um comando matou 148 pessoas na Universidade de Garissa (leste), a maioria estudantes. 

Expulsos de Mogadíscio em 2011, os shebabs perderam grande parte de suas fortalezas. Eles continuam, porém, a controlar importantes setores rurais de onde lançam operações de guerrilha e ataques suicidas, inclusive contra a capital, o governo, a segurança, ou contra alvos civis.

O governo da Somália tem o apoio da comunidade internacional e dos cerca de 20.000 membros da União Africana na Somália (Amisom), que conta com elementos do Quênia.

Este ataque ocorre três anos após a operação contra a base queniana da Amisom de El Adde, no sul da Somália. Os shebabs alegaram terem matado 200 soldados quenianos.

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