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Correio Braziliense

EUA não têm plano de futuro na Síria, diz ex-enviado do governo

McGurk deu essas declarações quatro dias depois de 19 pessoas, entre elas quatro americanos, morrerem em um atentado suicida na cidade de Manbij, no norte da Síria. O ataque foi o mais letal para as tropas americanas desde que chegaram ao país em 2014


postado em 21/01/2019 08:15

(foto: Jalaa Marey / AFP)
(foto: Jalaa Marey / AFP)
 
Washington, Estados Unidos - Os Estados Unidos não tem plano de futuro para a Síria, de onde estão retirando suas tropas por ordem do presidente Donald Trump - declarou no domingo (20/1) um alto oficial que renunciou ao cargo em dezembro para protestar contra a decisão do governo.

Em entrevista à rede CBS, o enviado americano para a coalizão internacional contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) Brett McGurk afirmou que "não há plano para o futuro" na Síria, o que aumenta o risco para as forças militares de seu país.

McGurk deu essas declarações quatro dias depois de 19 pessoas, entre elas quatro americanos, morrerem em um atentado suicida na cidade de Manbij, no norte da Síria. O ataque foi o mais letal para as tropas americanas desde que chegaram ao país em 2014.

O anúncio de Trump sobre a retirada dos 2.000 soldados americanos presentes na Síria surpreendeu seus aliados e também vários de seus colaboradores, como o secretário da Defesa, Jim Mattis, e McGurk, que apresentaram sua renúncia.

Desde então, funcionários do alto escalão do governo deram declarações contraditórias sobre as intenções de Washington. O Pentágono anunciou, porém, ter iniciado a retirada de seus soldados. Ainda não se sabe quando essa operação estará concluída.

"O presidente deixou claro. Vamos embora. E isso significa que, na verdade, nossas forças deveriam ter uma única missão: sair de lá e fazer isso sãs e salvas", disse McGurk à CBS.

"Agora não temos um plano. Isso aumenta a fraqueza das nossas forças (...) Aumenta o risco para o nosso pessoal estacionado na Síria e abrirá espaço para o EI", completou.

E, o mais importante, segundo McGurk, é que os EUA não podem esperar que "um sócio" como Turquia, aliada de Washington na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ocupe o lugar dos Estados Unidos na Síria.

"Não é realista. E, se nossas forças receberem ordem de se retirar enquanto tentam encontrar alguma maneira de que outro membro da coalizão entre, não é factível. Não é um plano viável", criticou.

Trump anunciou a retirada das tropas americanas, alegando que cumpriram sua missão de derrotar o EI. McGurk e outros especialistas negam a validade dessa análise.

it/mdl/gma/rsr/tt

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