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Correio Braziliense

Militares que se rebelaram contra Maduro são presos na Venezuela

As autoridades venezuelanas prenderam um grupo de militares que se amotinaram contra o presidente Nicolás Maduro


postado em 21/01/2019 15:00

Militares e policiais lançaram pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo contra um grupo de pessoas que se aproximou do posto militar para apoiar os supostos rebeldes(foto: YURI CORTEZ / AFP)
Militares e policiais lançaram pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo contra um grupo de pessoas que se aproximou do posto militar para apoiar os supostos rebeldes (foto: YURI CORTEZ / AFP)
 
Caracas, Venezuela - As autoridades venezuelanas prenderam um grupo de militares que se amotinaram, nesta segunda-feira (21), contra o presidente Nicolás Maduro em um quartel em Cotiza, no norte de Caracas - informou um comunicado das Forças Armadas.

"Durante a prisão foi recuperado armamento roubado e, no momento, estão fornecendo informações de interesse para as agências de Inteligência e do sistema de Justiça militar. Estes sujeitos receberão todo o peso da lei", ressalta o comunicado publicado pelo ministro da Defesa, o general Vladimir Padrino.

De acordo com as Forças Armadas, por volta das 2h50 (4h50 no horário de Brasília) um "pequeno grupo" da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) - sem especificar o número - roubou uma "grande quantidade de armas militares" do posto em Petare (leste) e sequestrou quatro militares.

Os rebeldes foram, então, para Cotiza, onde gravaram vídeos que circularam nas redes sociais. Na gravação, dizem não reconhecer Maduro e pedem o apoio da população.

"Aqui está a tropa profissional da Guarda Nacional contra este regime que nós desconhecemos completamente. Precisamos do apoio de vocês, saiam às ruas", diz um homem que se identificou como sargento desse corpo, nas imagens que circulam nas redes sociais.

Militares e policiais lançaram pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo contra um grupo de pessoas que se aproximou do posto militar para apoiar os supostos rebeldes.

"Estamos com eles. Se eles se unem com nosso país, estamos com eles. Vamos estar nas ruas. Liberdade!", gritou uma mulher diante dos jornalistas, em Cotiza.

As Forças Armadas asseguraram que os insurgentes encontraram "firme resistência por parte dos oficiais e das tropas profissionais" dentro do quartel de Cotiza.

"Eles foram neutralizados, rendidos e capturados em tempo recorde, e já estão confessando detalhes. A primeira coisa que disseram foi que receberam promessas de mansões e castelos e que foram deixados sozinhos. Eles foram enganados. Nós venceremos!", tuitou Diosdaldo Cabello, número dois do governo chavista.

Já o líder do Parlamento - de maioria opositora -, Juan Guaidó, assegurou que "o que acontece no comando da GN em Cotiza é uma amostra do sentimento generalizado que reina dentro" das Forças Armadas.

"Nossos militares sabem que a cadeia de comando está quebrada pela usurpação do gabinete presidencial. A AN (Assembleia Nacional, Parlamento) está comprometida com fornecer todas as garantias necessárias aos membros da FAN que contribuem ativamente para a restituição da Constituição", tuitou Guaidó.

 
Moradores apoiam amotinados
 
Depois de tomarem conhecimento dos vídeos postados pelos militares nas redes sociais, os moradores começaram a bater panelas e atearam fogo a uma lixeira para bloquear uma rua. "Queremos que Maduro vá embora, estamos cansados!", gritou um homem.

Os manifestantes denunciaram o uso de gás lacrimogêneo por parte das forças da ordem. "As cinco crianças de onde eu moro foram levadas para o hospital, porque ficaram intoxicadas [com o gás]. Estamos há um ano sem água. Queremos uma Venezuela melhor, que nossos filhos [que emigraram] voltem", afirmou uma mulher.

A ONG Espaço Público, que defende a liberdade de expressão, denunciou que equipes da imprensa que cobriam o levante foram retidos momentaneamente pela Guarda Nacional em Cotiza.

"Eles os obrigaram a apagar o material que fizeram sobre os fatos no setor", afirmou no Twitter.

A organização também disse ter recebido denúncias de um "bloqueio" de redes sociais como Twitter e Instagram durante os incidentes.

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